Tarifas dos EUA ampliam tensão comercial com América Latina
Países da região tentam barrar novas cobranças e alertam para impactos sobre empresas, consumidores e cadeias produtivas
As tarifas dos EUA voltaram a ampliar a tensão comercial com países da América Latina. Representantes da região intensificaram as negociações com Washington para tentar impedir uma nova rodada de cobranças.
A proposta faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. O órgão acusa dezenas de parceiros de não combaterem de forma suficiente a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Durante uma audiência pública em Washington, representantes de México, Peru, Equador e Guatemala rejeitaram as acusações. Além disso, afirmaram que seus países possuem leis e mecanismos de fiscalização contra esse tipo de prática.
Pressão regional
Os representantes latino-americanos também alertaram para os efeitos das tarifas dos EUA sobre a economia regional. Segundo eles, novas barreiras podem prejudicar cadeias produtivas integradas nas Américas.
Além disso, as cobranças podem elevar os custos para empresas e consumidores. Por isso, os países defendem que eventuais problemas sejam tratados por meio da cooperação.
O governo dos Estados Unidos, por outro lado, afirma que a medida busca impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Segundo Washington, essas mercadorias criam concorrência desleal para empresas norte-americanas.
Brasil no foco
O Brasil também aparece entre os países investigados pelo USTR. A proposta prevê tarifas adicionais de até 12,5% para parte das economias incluídas no processo.
Entretanto, diversos produtos estratégicos ficaram fora da possível cobrança. Entre eles estão carne bovina, café, petróleo, terras raras, produtos farmacêuticos e peças aeronáuticas.
Mesmo com as exceções, as tarifas dos EUA podem afetar outros setores exportadores brasileiros. Caso a medida avance, empresas poderão enfrentar custos maiores para vender ao mercado norte-americano.
Efeito nas exportações
Os Estados Unidos estão entre os principais destinos dos produtos brasileiros. Por isso, uma nova rodada de tarifas pode reduzir a competitividade das mercadorias nacionais.
Além disso, o tema ganhou relevância diante do aumento das tensões comerciais entre Washington e outros parceiros. Nesse cenário, exportadores acompanham a investigação e aguardam a decisão final.
Os governos latino-americanos argumentam que já seguem padrões internacionais contra o trabalho forçado. Dessa forma, defendem que os Estados Unidos evitem a criação de novas barreiras comerciais.
Decisão pendente
A proposta ainda está em análise. Nas próximas semanas, o governo norte-americano deverá avaliar as manifestações apresentadas durante a consulta pública.
Depois disso, Washington poderá manter, alterar ou retirar as tarifas propostas. Portanto, ainda não há uma decisão definitiva sobre a aplicação das cobranças.
Por fim, as tarifas dos EUA mantêm o clima de incerteza na América Latina. Enquanto Washington defende a medida, os países da região cobram diálogo e cooperação comercial.