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    Onda de calor faz governos da Europa ampliarem uso de ar-condicionado

    União Europeia prepara novas regras de eficiência energética, enquanto França financia a compra de equipamentos para escolas e creches afetadas pelas temperaturas extremas.

    A forte onda de calor que atingiu a Europa aumentou a procura por ar-condicionado e levou governos a rever políticas de climatização. Escolas suspenderam aulas, hospitais enfrentaram dificuldades e famílias buscaram alternativas para reduzir a temperatura dentro de casa.

    Em junho de 2026, a Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente desde o início das medições. A temperatura média chegou a 20,74°C, mais de 3°C acima da média registrada entre 1991 e 2020. Além disso, milhões de europeus enfrentaram temperaturas próximas ou superiores a 40°C.

    Regra para ar-condicionado

    Diante do aumento das vendas, a União Europeia apresentou uma proposta para ampliar as informações sobre o consumo dos equipamentos. Pelo texto, instaladores de ar-condicionado deverão informar ao consumidor a eficiência energética do sistema antes da contratação.

    A medida pretende ajudar as famílias a comparar aparelhos e evitar contas de energia mais altas. No entanto, a proposta ainda precisa passar pela análise dos países-membros e do Parlamento Europeu.

    A União Europeia não proibiu o uso de ar-condicionado nem estabeleceu uma temperatura obrigatória para as residências. Na prática, o bloco busca estimular a compra de equipamentos mais eficientes, em meio ao crescimento da demanda por refrigeração.

    França financia equipamentos

    Na França, a estatal de energia EDF anunciou 80 milhões de euros para financiar sistemas de refrigeração em escolas, creches e centros de educação infantil. O programa prevê um auxílio de 400 euros por ventilador ou aparelho de ar-condicionado.

    Cada unidade poderá adquirir até dez equipamentos com o benefício. A iniciativa ficará disponível até o fim de setembro e tenta preparar os prédios públicos para novos períodos de calor extremo.

    A decisão ocorreu depois que 13,5 mil escolas francesas fecharam ou adotaram horários especiais devido às altas temperaturas. Na Inglaterra e no País de Gales, cerca de mil unidades também reduziram o período de aulas ou suspenderam as atividades.

    Escolas enfrentam calor

    Grande parte das escolas europeias não possui ar-condicionado. Além disso, muitos prédios têm janelas amplas, pouca ventilação e estruturas projetadas para conservar o calor durante o inverno.

    Por isso, professores passaram a usar ventiladores, coberturas improvisadas nas janelas e mudanças nos horários das aulas. Em algumas salas britânicas, a temperatura interna chegou a 40°C durante a onda de calor.

    O governo britânico recomendou que as escolas reduzam o uso de iluminação e desliguem equipamentos que produzam calor. A orientação também permite ventiladores abaixo de 35°C. Acima desse nível, porém, o equipamento pode não evitar problemas relacionados ao calor.

    Consumo de energia preocupa

    O avanço do ar-condicionado também aumentou a pressão sobre o sistema elétrico europeu. Durante a onda de calor, a França precisou reduzir a produção de algumas usinas nucleares porque a temperatura dos rios dificultou o resfriamento dos reatores.

    Ao mesmo tempo, a procura por energia para climatização cresceu. Com menos geração disponível em determinados horários, os preços da eletricidade subiram em partes da Europa.

    Por esse motivo, autoridades defendem que o ar-condicionado faça parte de uma estratégia mais ampla. Entre as alternativas estão isolamento térmico, proteção nas janelas, arborização, ventilação dos imóveis e reformas nos prédios públicos.

    Debate político

    O ar-condicionado ainda divide opiniões na Europa. Parte dos governos e dos partidos políticos defende a instalação dos equipamentos principalmente em escolas, hospitais e locais que atendem idosos.

    Por outro lado, setores ambientalistas alertam para o consumo de energia e para o impacto climático dos aparelhos menos eficientes. Mesmo assim, as temperaturas extremas aumentaram a pressão por investimentos em climatização.

    Com ondas de calor mais frequentes, o ar-condicionado deixou de representar apenas conforto. Agora, governos europeus tratam o acesso à refrigeração como uma questão de saúde pública, educação, energia e proteção das populações mais vulneráveis.

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