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    Tokayev pede a Putin congelamento da guerra na Ucrânia

    Presidente do Cazaquistão defendeu a retomada das negociações de paz, mas o Kremlin rejeitou uma interrupção do conflito nas condições atuais.

    O congelamento da guerra na Ucrânia ganhou o apoio público do presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, neste sábado (25). Ao lado de Vladimir Putin, ele defendeu a suspensão dos combates e a retomada das negociações.

    A declaração ocorreu durante um fórum entre Rússia e Cazaquistão em Omsk, na Sibéria. Além disso, chamou atenção porque partiu do líder de um país que mantém estreitas relações econômicas, políticas e militares com Moscou.

    Tokayev propôs o retorno ao que chamou de “fórmula de Istambul 2.0”. Segundo ele, um acordo poderia avançar com garantias de segurança oferecidas por grandes potências, inclusive a Rússia.

    Proposta feita diante de Putin

    Tokayev afirmou que recebeu diferentes pedidos para abordar a guerra com o governo russo. Por isso, apresentou diretamente a Putin sua avaliação sobre a necessidade de interromper o conflito.

    O presidente cazaque também declarou que as razões da guerra permanecem difíceis de compreender. Ao mesmo tempo, elogiou o que classificou como flexibilidade diplomática do líder russo.

    Putin não contestou Tokayev durante a parte pública do encontro. Posteriormente, porém, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a proposta.

    Segundo Peskov, a Rússia considera impossível congelar os combates diante da atual posição do governo ucraniano. Além disso, Moscou afirma que somente encerrará as operações após alcançar seus objetivos.

    O que seria a fórmula de Istambul

    Rússia e Ucrânia realizaram negociações em Istambul pouco depois do início da invasão russa em larga escala, em 2022. Contudo, as reuniões não produziram um acordo definitivo.

    Os países retomaram contatos diretos na cidade turca em 2025. Ainda assim, as conversas resultaram principalmente em medidas humanitárias e não resolveram as disputas territoriais e de segurança.

    Tokayev não apresentou um documento detalhado sobre a chamada “fórmula de Istambul 2.0”. Portanto, a expressão representa, até agora, uma proposta política para reabrir o diálogo.

    Entre os pontos mencionados pelo presidente cazaque estão uma interrupção dos combates e garantias oferecidas por potências internacionais. Entretanto, não está claro quem participaria desse mecanismo nem quais obrigações seriam assumidas.

    Kremlin mantém exigências

    A Rússia continua exigindo que a Ucrânia retire suas tropas de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. Moscou declarou ter incorporado essas quatro regiões, embora não controle integralmente seus territórios.

    Além disso, Putin cobra que Kyiv abandone formalmente qualquer intenção de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo ucraniano considera as condições russas incompatíveis com sua soberania.

    Consequentemente, o pedido de Tokayev não altera imediatamente as posições das partes. Ele amplia, porém, a pressão diplomática por uma nova rodada de negociações.

    Na semana anterior, o próprio Kremlin havia declarado que não via perspectiva imediata para a retomada das conversas. Agora, a manifestação do Cazaquistão expõe divergências entre Moscou e um de seus parceiros mais próximos.

    Relação entre Rússia e Cazaquistão

    Rússia e Cazaquistão compartilham uma fronteira de aproximadamente 7,6 mil quilômetros. Além disso, integram organizações regionais de segurança e comércio lideradas ou influenciadas por Moscou.

    Apesar dessa proximidade, o governo cazaque tenta manter uma política externa equilibrada. O país não reconheceu as anexações russas de territórios ucranianos e preserva relações com governos ocidentais.

    O Cazaquistão também depende de rotas russas para exportar grande parte de seu petróleo. Recentemente, ataques contra instalações ligadas ao escoamento pelo Mar Negro provocaram redução da produção cazaque.

    Dessa forma, Astana possui interesses políticos e econômicos diretos no encerramento da guerra. Uma escalada prolongada ameaça investimentos, exportações de energia e a estabilidade regional.

    Relevância para o Brasil

    A proposta de Tokayev se aproxima da defesa brasileira por negociações diplomáticas. O governo brasileiro condena a ocupação do território ucraniano, mas também sustenta que o conflito precisa de uma solução negociada.

    Ainda assim, Brasília não apresentou reação imediata à declaração feita em Omsk. O Brasil mantém relações com Rússia e Ucrânia e procura preservar espaço para dialogar com os dois governos.

    A manifestação cazaque poderá reforçar iniciativas de países que não integram diretamente a Otan nem o núcleo de aliados militares de Moscou. Contudo, qualquer avanço dependerá da concordância de russos e ucranianos.

    Agora, as atenções se voltam para possíveis respostas de Kyiv e de outras potências envolvidas nas negociações. Sem mudanças nas exigências territoriais e nas garantias de segurança, o congelamento dos combates continuará distante.

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