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    Disputa pelo comando da ONU ganha sétimo candidato

    Uganda indica Olara Otunnu para suceder António Guterres; Brasil participa diretamente da eleição ao apoiar Michelle Bachelet.

    A disputa pelo comando da ONU ganhou um sétimo candidato neste domingo (26). Uganda indicou o diplomata Olara Otunnu para concorrer ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

    Além disso, a eleição reúne um número expressivo de candidatos latino-americanos. Entre eles aparece a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, apoiada conjuntamente por Chile, Brasil e México.

    António Guterres encerrará seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026. Portanto, a organização pretende escolher seu sucessor antes do fim deste ano.

    Quem é Olara Otunnu

    Aos 75 anos, Otunnu é o candidato mais velho da disputa. O diplomata já ocupou o cargo de subsecretário-geral da ONU e representou a organização em questões envolvendo crianças e conflitos armados.

    Além disso, Otunnu representou Uganda nas Nações Unidas e comandou o Ministério das Relações Exteriores do país. O governo ugandense apresentou sua candidatura às presidências da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança.

    Em sua plataforma, o diplomata defende reformas institucionais e uma atuação mais efetiva da ONU diante dos conflitos internacionais. Também propõe uma estrutura específica para acompanhar o avanço da inteligência artificial.

    Por outro lado, Otunnu pretende conciliar as políticas climáticas com o desenvolvimento econômico. Contudo, sua plataforma ainda não explica como a organização aplicaria essas propostas.

    Sete nomes participam da disputa

    Além de Otunnu e Bachelet, outros cinco candidatos concorrem ao cargo. Um deles é o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.

    Também participa Rebeca Grynspan, da Costa Rica, que comanda a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A equatoriana María Fernanda Espinosa, ex-chanceler do país, aparece igualmente na lista.

    Além disso, concorrem Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, e Macky Sall, ex-presidente do Senegal.

    Apesar das sete candidaturas, outros países ainda poderão apresentar nomes. Segundo a Reuters, nenhum concorrente ocupa uma posição clara de favoritismo neste momento.

    Diplomatas avaliam que a América Latina e o Caribe poderão assumir o comando da organização. Entretanto, a alternância regional representa uma tradição diplomática, não uma regra obrigatória.

    Ao mesmo tempo, diferentes governos defendem a escolha de uma mulher. Desde a criação da ONU, em 1945, nenhum dos nove secretários-gerais foi mulher.

    Conselho de Segurança decide primeiro

    Os cidadãos dos países integrantes da ONU não participam diretamente da escolha. Primeiramente, o Conselho de Segurança analisa os concorrentes e recomenda um nome à Assembleia Geral.

    Por isso, os cinco membros permanentes exercem influência decisiva. Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido podem vetar qualquer candidatura.

    Depois da recomendação, a Assembleia Geral confirma o nome. O escolhido exercerá um mandato de cinco anos e poderá receber uma recondução.

    Antes dessa etapa, os candidatos apresentam currículos, propostas e informações sobre o financiamento de suas campanhas. Além disso, eles participam de debates públicos promovidos pela organização.

    Agora, o Conselho de Segurança deverá iniciar consultas informais sobre os concorrentes. Essas avaliações indicarão quais nomes conseguem reunir apoio sem enfrentar o veto de uma potência.

    Brasil aposta em Michelle Bachelet

    O Brasil participa diretamente da articulação em favor de Bachelet. Em fevereiro, os governos brasileiro, chileno e mexicano apresentaram conjuntamente a candidatura da ex-presidente do Chile.

    Bachelet governou o país durante dois mandatos. Posteriormente, comandou a ONU Mulheres e atuou como alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

    Em março, o governo brasileiro reafirmou o apoio à candidata. Na ocasião, a ministra Márcia Lopes defendeu a escolha da primeira mulher para liderar a organização.

    Contudo, Brasília ainda precisará conquistar o apoio de outros governos. Sobretudo, a candidatura dependerá da aceitação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

    A entrada de Otunnu também poderá alterar a distribuição dos apoios. Afinal, Uganda e Senegal apresentam candidatos africanos, enquanto quatro concorrentes possuem origem latino-americana.

    Próximas etapas

    A ONU continuará recebendo candidaturas durante os próximos meses. Enquanto isso, os concorrentes buscarão apoio entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança.

    A eleição ocorre em um período de conflitos internacionais, disputas entre grandes potências e dificuldades financeiras na organização. Portanto, os governos deverão avaliar experiência diplomática, capacidade administrativa e propostas de reforma.

    A ONU pretende concluir a escolha antes do fim do mandato de Guterres. Até lá, novas candidaturas e as consultas no Conselho poderão mudar o cenário da disputa.

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