Fed inicia reunião com risco de alta nos juros dos EUA
Contratos elevaram para 40% a probabilidade de aumento, embora todos os economistas consultados pela Reuters esperem manutenção.
O Federal Reserve iniciou nesta terça-feira (28) a reunião que definirá os juros dos Estados Unidos. O banco central anunciará a decisão nesta quarta-feira (29).
Atualmente, a taxa básica norte-americana permanece entre 3,50% e 3,75% ao ano. O Fed mantém essa faixa desde o início de 2026.
A maioria dos economistas espera uma nova manutenção. Contudo, investidores ainda consideram possível um aumento de 0,25 ponto percentual.
Por isso, a incerteza movimenta moedas, bolsas e títulos públicos em diferentes países. Além disso, a decisão poderá influenciar o dólar e os juros brasileiros.
Mercado vê surpresa
Na manhã desta terça-feira, os contratos futuros indicavam aproximadamente 40% de chance de alta nos juros dos Estados Unidos.
Uma semana antes, essa probabilidade estava perto de 20%. Com isso, o dólar operou próximo da maior cotação em cinco semanas diante de outras moedas fortes.
Apesar do movimento do mercado, uma pesquisa da Reuters mostrou outra expectativa entre os economistas. Todos os 104 participantes previram manutenção dos juros nesta reunião.
Além disso, 78 especialistas acreditam que o Fed manterá a taxa até o fim do ano. Portanto, um aumento nesta quarta-feira surpreenderia parte importante do mercado.
Os analistas também avaliam que o banco central evitaria uma alta isolada. Afinal, a decisão poderia criar expectativas sobre um novo ciclo de aperto monetário.
Inflação mantém alerta
O Fed procura equilibrar dois objetivos: controlar a inflação e preservar o emprego. Entretanto, os indicadores recentes apresentam sinais diferentes.
Em junho, o Comitê Federal de Mercado Aberto afirmou que a economia crescia em ritmo sólido. O órgão também destacou a estabilidade do mercado de trabalho.
Por outro lado, a inflação continuava acima da meta de 2%. Segundo o Fed, choques de oferta elevaram preços em setores como energia.
O Relatório de Política Monetária de julho reforçou essa avaliação. Além disso, apontou que a inflação subiu durante 2026, embora o desemprego permanecesse baixo.
Nos últimos dias, alguns indicadores mostraram menor pressão sobre os preços. Contudo, tarifas comerciais e custos energéticos ainda preocupam dirigentes e investidores.
Assim, o comitê poderá manter os juros enquanto acompanha novos dados. Outra possibilidade seria elevar a taxa para reforçar o compromisso com a estabilidade dos preços.
Trump cobra redução
A reunião também ocorre sob pressão política. Na segunda-feira (27), Donald Trump voltou a defender juros menores nos Estados Unidos.
O presidente afirmou que o país deveria operar com taxas inferiores às praticadas por outras economias. Além disso, elogiou o presidente do Fed, Kevin Warsh.
Contudo, Trump também acusou integrantes do banco central de adotarem posições políticas. O Fed não respondeu imediatamente às declarações.
O banco central possui autonomia para tomar decisões monetárias. Portanto, o governo não determina diretamente os votos dos integrantes do comitê.
Ainda assim, as críticas ampliam a repercussão política da reunião. Além disso, colocam o debate sobre a independência do Fed no centro da agenda econômica.
Impacto no Brasil
Uma alta nos Estados Unidos torna os títulos norte-americanos mais atraentes. Consequentemente, investidores podem reduzir recursos aplicados em mercados emergentes.
Esse movimento costuma fortalecer o dólar e pressionar moedas como o real. Além disso, pode elevar os custos de financiamento para empresas e governos.
Um dólar mais caro também encarece produtos importados e alguns insumos industriais. Por isso, a mudança pode influenciar as expectativas de inflação no Brasil.
O Banco Central brasileiro acompanha esses efeitos ao decidir sobre a Selic. Contudo, a política monetária nacional também depende da inflação, da atividade econômica e das contas públicas.
Por outro lado, uma manutenção acompanhada por uma mensagem moderada poderá reduzir parte da tensão. Nesse cenário, investidores concentrariam as atenções na reunião de setembro.
Decisão nesta quarta
O Fed divulgará a decisão após o encerramento da reunião de dois dias. Em seguida, Kevin Warsh explicará a avaliação do comitê sobre inflação, emprego e atividade econômica.
Os investidores analisarão, sobretudo, as indicações para setembro. Além disso, buscarão sinais sobre possíveis altas ou manutenções até dezembro.
Portanto, o nível atual dos juros dos Estados Unidos não será o único ponto relevante. A comunicação do Fed poderá definir o comportamento dos mercados nas próximas semanas.