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    Economia dos EUA desacelera e cresce 1,5% no trimestre

    PIB avança abaixo das previsões, enquanto consumo e investimentos em inteligência artificial sustentam a atividade econômica norte-americana.

    A economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026.

    O Departamento de Comércio divulgou a estimativa inicial nesta quinta-feira (30). No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto havia avançado 2,1%.

    Além disso, o resultado ficou abaixo da previsão de 2,1% registrada em pesquisa da Reuters com economistas.

    O aumento das importações, a redução dos gastos governamentais e a perda de ritmo dos investimentos limitaram o crescimento.

    Entretanto, o consumo das famílias mostrou recuperação. Os investimentos empresariais também permaneceram fortes, especialmente em equipamentos ligados à inteligência artificial.

    Consumo ganha força

    Os gastos dos consumidores cresceram a uma taxa anualizada de 3,2% entre abril e junho.

    No primeiro trimestre, o avanço havia alcançado apenas 0,5%. Portanto, o consumo impediu uma desaceleração mais intensa da economia.

    As famílias ampliaram despesas com medicamentos, veículos, móveis, alimentação e hospedagem.

    Segundo a Reuters, restituições tributárias maiores também sustentaram os gastos. A Copa do Mundo contribuiu para movimentar serviços, viagens e comércio.

    Contudo, economistas questionam a continuidade desse ritmo. A inflação elevada reduz o poder de compra, enquanto muitas famílias diminuem suas reservas financeiras.

    Inteligência artificial impulsiona investimentos

    Os investimentos empresariais fora do setor residencial cresceram 8,4% no segundo trimestre.

    A expansão refletiu principalmente a compra de equipamentos, softwares e componentes destinados à infraestrutura de inteligência artificial.

    Além disso, empresas aumentaram investimentos em pesquisa, desenvolvimento e processamento de informações.

    As importações cresceram 11,5%, parcialmente por causa da entrada de chips e outros equipamentos tecnológicos.

    No cálculo do PIB, as importações são descontadas porque representam produção realizada fora dos Estados Unidos. Consequentemente, retiraram 1,5 ponto percentual do crescimento trimestral.

    Apesar desse efeito estatístico, os investimentos indicam que empresas ainda ampliam sua capacidade produtiva.

    Demanda interna resiste

    O Departamento de Comércio informou que as vendas finais aos compradores privados domésticos cresceram 3,9%.

    Esse indicador reúne consumo e investimento privado fixo. No primeiro trimestre, ele havia avançado 1,7%.

    Portanto, a demanda interna apresentou desempenho mais forte do que o número principal do PIB sugere.

    Entretanto, a expansão não ocorreu de forma uniforme. Os gastos governamentais caíram, enquanto exportações e investimentos perderam velocidade.

    O resultado de 1,5% também representa uma estimativa preliminar. O governo divulgará uma segunda leitura em 26 de agosto.

    Inflação limita reação do Fed

    O relatório também mostrou pressão sobre os preços. O índice das compras domésticas aumentou 5,7% em ritmo anualizado durante o trimestre.

    O índice de preços dos gastos com consumo pessoal avançou 5,1%. Entretanto, o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 3,4%.

    Na quarta-feira (29), o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano.

    A decisão recebeu nove votos favoráveis. Contudo, três integrantes defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual.

    O banco central afirmou que a inflação permanece acima da meta de 2%. Além disso, destacou a força dos investimentos e do mercado de trabalho.

    Assim, a desaceleração do PIB não garante uma redução dos juros. O Fed continuará avaliando inflação, emprego e atividade antes da reunião de setembro.

    Impactos para o Brasil

    O desempenho norte-americano interessa ao Brasil porque afeta comércio, dólar, commodities e fluxos de investimentos.

    No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões. O valor representa queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.

    Uma desaceleração prolongada pode reduzir a demanda norte-americana por produtos brasileiros. Esse risco alcança petróleo, aço, máquinas e outros bens industriais.

    Por outro lado, a força do consumo e dos investimentos indica que a maior economia mundial ainda mantém demanda relevante.

    A política monetária também produz efeitos sobre o mercado brasileiro. Juros norte-americanos elevados podem atrair recursos para os Estados Unidos e pressionar moedas emergentes.

    Consequentemente, o cenário pode influenciar o dólar, a inflação brasileira e as decisões do Banco Central sobre a Selic.

    Próximos passos

    Os investidores acompanharão os próximos dados sobre inflação, emprego, consumo e produção industrial.

    Além disso, o Departamento de Comércio revisará o PIB em 26 de agosto. Novas informações poderão alterar a estimativa inicial.

    O Federal Reserve realizará outra reunião em setembro. Até lá, o banco central avaliará se mantém os juros ou retoma o aperto monetário.

    Portanto, o relatório mostra uma economia dividida. O crescimento perdeu força, mas o consumo e os investimentos tecnológicos ainda sustentam a atividade.

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