Senado dos EUA aprova pacote de sanções à Rússia
Projeto permite tarifas de até 100% contra grandes compradores de energia russa, mas ainda enfrenta resistência na Câmara.
As sanções dos EUA contra a Rússia avançaram na sexta-feira (7), após o Senado aprovar um novo pacote por 86 votos a 11.
A proposta busca reduzir as receitas obtidas por Moscou com a venda internacional de petróleo e gás.
Além disso, o texto amplia medidas contra autoridades, bancos, instituições financeiras e participantes da chamada frota paralela russa.
Entretanto, o pacote ainda não possui força de lei. A Câmara dos Representantes precisa aprová-lo antes do envio ao presidente Donald Trump.
Tarifas podem chegar a 100%
A proposta autoriza Trump a impor tarifas de até 100% sobre produtos de países que mantêm grandes compras de energia russa.
O mecanismo alcançaria os cinco maiores importadores de petróleo ou gás da Rússia.
Além disso, poderia atingir cinco países que facilitam a evasão das sanções aplicadas ao setor energético russo.
China e Índia aparecem entre os principais compradores sujeitos ao mecanismo. Japão e alguns países europeus também podem entrar no alcance da medida.
Contudo, o texto prevê exceções para determinados países que reduzem sua dependência energética da Rússia.
Também permite que o presidente suspenda tarifas quando considerar a decisão necessária aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
Pressão sobre Moscou
Os defensores do projeto argumentam que as exportações energéticas financiam a atuação militar russa na Ucrânia.
Por isso, eles pretendem pressionar países compradores a reduzir contratos com Moscou.
A legislação também estabelece sanções primárias e secundárias contra pessoas e empresas relacionadas ao governo russo.
Entre os possíveis alvos aparecem autoridades, integrantes da elite econômica, familiares, bancos e operadores internacionais.
Além disso, o texto alcança embarcações usadas para transportar petróleo e contornar restrições existentes.
A Embaixada da Ucrânia em Washington classificou a aprovação como um passo importante para ampliar a pressão econômica sobre a Rússia.
Projeto inclui o Irã
O Senado também acrescentou medidas relacionadas ao Irã.
A proposta prorroga por cinco anos uma lei norte-americana que permite sanções contra os setores energético e militar iranianos.
Trump defendeu essa inclusão durante as negociações com os senadores.
Assim, o pacote reúne duas prioridades da política externa norte-americana: enfraquecer receitas russas e manter pressão econômica sobre Teerã.
Entretanto, as situações dos dois países possuem fundamentos e mecanismos diferentes.
Câmara apresenta resistência
O amplo apoio no Senado não garante a aprovação rápida na Câmara.
Deputados democratas e representantes de setores empresariais criticam os novos poderes tarifários concedidos ao presidente.
Segundo esses grupos, tarifas elevadas podem aumentar custos para importadores e consumidores norte-americanos.
Além disso, parlamentares temem que Trump utilize a autorização para objetivos diferentes da pressão sobre a Rússia.
O Senado rejeitou uma emenda que retirava esse poder do texto.
Contudo, o representante comercial dos Estados Unidos prometeu estabelecer limites para a aplicação das tarifas.
A Câmara deverá analisar o pacote após retornar do recesso, previsto para terminar em 31 de agosto.
Efeitos sobre energia e comércio
Caso entre em vigor, o projeto poderá alterar rotas comerciais e contratos internacionais de energia.
China e Índia poderão buscar novos fornecedores ou exigir descontos maiores do petróleo russo.
Por outro lado, Moscou poderá oferecer condições mais favoráveis para preservar compradores estratégicos.
Consequentemente, essas decisões podem influenciar as cotações internacionais do petróleo e os custos de transporte.
As tarifas também poderiam afetar produtos importados pelos Estados Unidos dos países sancionados.
Portanto, o alcance econômico ultrapassaria o setor energético e atingiria diferentes cadeias industriais.
Impacto para o Brasil
O texto não coloca automaticamente o Brasil entre os países sujeitos às tarifas.
A proposta concentra o mecanismo nos principais compradores de petróleo e gás russos e nos maiores facilitadores de evasão.
Entretanto, o Brasil acompanha o tema porque integra o Brics ao lado de Rússia, China e Índia.
Além disso, mudanças no comércio energético podem afetar preços internacionais, câmbio, combustíveis e custos logísticos.
A Rússia também representa uma importante fornecedora de fertilizantes para o agronegócio brasileiro.
O projeto não determina um bloqueio geral dessas compras brasileiras.
Contudo, novas sanções financeiras ou logísticas podem aumentar custos e dificultar pagamentos, seguros e transporte.
Por isso, empresas e autoridades brasileiras deverão avaliar o texto final antes de medir possíveis impactos.
Próximos passos
A Câmara poderá aprovar o projeto, modificá-lo ou impedir sua votação.
Se os deputados alterarem o conteúdo, Senado e Câmara precisarão construir uma versão comum.
Depois, Trump decidirá sobre a sanção presidencial.
O presidente já sinalizou apoio, mas defende liberdade para aplicar ou retirar as tarifas.
Portanto, as sanções dos EUA contra a Rússia avançaram politicamente, mas ainda dependem de novas decisões em Washington.