• Internacional

    A tragédia que assustou o Nepal pode se repetir? Entenda o risco

    Colapso de geleira deixou quase 800 mortos e mais de 3 mil desaparecidos entre Nepal e Tibete; novos represamentos de água mantêm região em alerta.

    A tragédia que atingiu o Nepal e o Tibete ainda mantém a região do Himalaia em alerta. Quase 800 pessoas morreram e mais de 3 mil continuam desaparecidas. Além disso, autoridades acompanham o risco de novas inundações provocadas por água represada entre os escombros.

    O desastre começou na quarta-feira (26), após o colapso de uma massa de gelo e rochas em uma região de grande altitude. Em seguida, o material desceu pelo vale e provocou uma enxurrada de lama, pedras, água e detritos. O fenômeno atingiu comunidades, pontes, estradas e instalações próximas à fronteira entre Nepal e China.

    Segundo o balanço divulgado neste domingo (30), o Nepal registrava 781 mortes e 2.502 desaparecidos. Do lado chinês, no Tibete, autoridades contabilizavam 16 mortos e 546 desaparecidos. Entre os desaparecidos estão também centenas de estrangeiros.

    O que provocou a tragédia

    As análises iniciais indicam que uma grande quantidade de gelo e rocha se desprendeu da montanha. Depois da queda, a massa ganhou velocidade e incorporou água, lama e outros materiais durante o percurso.

    Dessa forma, a avalanche inicial se transformou em um poderoso fluxo de detritos. O material enviado como base para esta matéria descreve justamente essa sequência: primeiro ocorre o desprendimento de gelo e rocha e, depois, o fluxo incorpora material das encostas e do leito dos rios.

    O movimento foi tão intenso que equipamentos sísmicos registraram um sinal equivalente ao de um terremoto de magnitude 5,2. No entanto, especialistas apontam que o próprio deslocamento da massa produziu o registro sísmico.

    Pode acontecer novamente?

    A resposta exige cautela. Cientistas não afirmam que uma nova avalanche semelhante acontecerá imediatamente. Entretanto, as condições deixadas pelo desastre criaram outros perigos.

    Após o colapso, os escombros bloquearam cursos de água e formaram represamentos naturais. Por isso, autoridades passaram a monitorar lagos que surgiram nas áreas atingidas.

    Um dos reservatórios perdeu parte da água e apresentou redução no risco de rompimento. Ainda assim, outros pontos continuam sob observação. Neste domingo, o Nepal emitiu novos alertas diante da elevação do nível do rio Bhotekoshi e da possibilidade de enchentes vindas das regiões mais altas.

    O material analisado também aponta a formação de represas naturais pelos próprios escombros. Assim, um rompimento poderia liberar rapidamente a água acumulada e provocar outra onda de inundação.

    Himalaia enfrenta risco crescente

    Além da ameaça imediata das enchentes, cientistas acompanham a instabilidade das geleiras e das montanhas do Himalaia.

    O aumento das temperaturas acelera o derretimento do gelo. Como consequência, áreas anteriormente congeladas podem perder estabilidade. Rochas também ficam mais expostas e sujeitas a desprendimentos.

    Especialistas afirmam que as mudanças climáticas estão criando condições favoráveis a eventos desse tipo nas regiões montanhosas. Entretanto, ainda não é possível atribuir exclusivamente ao aquecimento global o colapso específico ocorrido em 26 de agosto.

    Alerta poderia chegar antes

    Outra discussão após a tragédia envolve os sistemas de alerta. Meses antes do desastre, autoridades nepalesas já haviam pedido à China maior compartilhamento de informações sobre movimentação de geleiras e níveis dos rios.

    Além disso, o próprio movimento da avalanche produz sinais sísmicos que viajam muito mais rápido do que os detritos. Em tese, sensores podem detectar esses sinais e fornecer minutos preciosos de alerta para comunidades localizadas mais abaixo no vale. Essa possibilidade também aparece no material técnico usado como base para a matéria.

    A prioridade agora é localizar desaparecidos, liberar estradas e acompanhar os níveis dos rios. Equipes do Nepal e da China também monitoram os represamentos formados depois do desastre para identificar mudanças que possam indicar novas inundações.

    Noticias relacionadas