Arábia Saudita e houthis trocam ataques e ampliam tensão no Oriente Médio
Ataques atingem áreas do Iêmen e território saudita, enquanto rotas de petróleo e comércio entram no centro das preocupações
A escalada entre Arábia Saudita e houthis ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (17). Forças sauditas realizaram bombardeios contra áreas controladas pelo grupo no Iêmen.
Em resposta, os houthis lançaram drones e mísseis contra território saudita.
Segundo autoridades sauditas, destroços de um drone interceptado provocaram a morte de uma pessoa e deixaram outras duas feridas.
Além disso, o confronto ocorre em meio a novos deslocamentos de civis no Iêmen.
Civis deixam áreas
Mais de 100 mil pessoas já deixaram suas casas por causa do avanço dos confrontos, segundo informações reunidas pela Reuters.
Parte dos moradores tenta atravessar o estreito de Bab el-Mandeb em direção ao Djibuti.
Ao mesmo tempo, os houthis ampliaram o controle sobre áreas da costa do Mar Vermelho.
O grupo também afirmou ter abatido um caça F-15 saudita. No entanto, a informação não teve confirmação independente imediata.
Além disso, o líder dos houthis, Abdul Malik al-Houthi, voltou a exigir o fim das operações militares sauditas no Iêmen.
Petróleo sob pressão
A escalada entre Arábia Saudita e houthis também aumenta a preocupação com o mercado internacional de energia.
O estreito de Bab el-Mandeb é uma das principais rotas marítimas usadas para transportar petróleo, gás e mercadorias entre Ásia, Oriente Médio e Europa.
Além disso, três estações de bombeamento do oleoduto East-West, na Arábia Saudita, foram atingidas recentemente por drones.
Segundo fontes do setor, a estrutura transportava entre 4 milhões e 5 milhões de barris de petróleo por dia antes da paralisação.
Assim, a interrupção ganha peso estratégico porque o oleoduto permite ao país transportar petróleo sem depender do estreito de Ormuz.
China entra em cena
A China também passou a atuar nas movimentações diplomáticas.
Pequim pediu ao Irã que use sua influência para tentar conter as ações dos houthis, após solicitação da Arábia Saudita.
Segundo o texto, o governo chinês teme que a expansão do conflito prejudique o fluxo de energia e o comércio internacional.
Enquanto isso, os Estados Unidos acompanham a situação.
Donald Trump afirmou esperar que a guerra se aproxime de um desfecho. Porém, até o momento, não anunciou participação militar direta no confronto entre sauditas e houthis.
Tensão regional
A escalada entre Arábia Saudita e houthis reúne, portanto, efeitos militares, humanitários e econômicos.
Além dos ataques e deslocamentos, o conflito pressiona rotas estratégicas usadas no transporte de petróleo e mercadorias.
Ao mesmo tempo, China e Estados Unidos acompanham os desdobramentos da crise.