Pobreza volta a subir na Argentina, apesar das projeções de crescimento econômico até 2027
Índice de pobreza chega a 32,3%, enquanto Banco Mundial prevê três anos consecutivos de expansão da economia argentina.
A economia da Argentina, governada pelo presidente Javier Milei, pode registrar três anos consecutivos de crescimento até 2027, algo que não acontece há quase duas décadas. Segundo o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 2,1% em 2026 e 3% em 2027, após crescer 4,4% em 2025. A instituição relaciona a recuperação econômica ao ajuste fiscal, às reformas tributárias e à maior abertura do mercado argentino.
Apesar das projeções positivas, a atividade econômica apresenta sinais de desaceleração. Uma pesquisa com analistas divulgada pelo Banco Central argentino estima retração de 1% no PIB durante o terceiro trimestre de 2026. Além disso, os especialistas reduziram a previsão de crescimento anual para 1,5%. Em agosto, a indústria avançou 1,9% e a construção cresceu 0,4% em relação ao mês anterior, após resultados negativos em julho.
Na área social, a pobreza voltou a crescer e atingiu 32,3% da população urbana no primeiro semestre de 2026, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O índice representa aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025, quando estava em 28,2%. Entretanto, permanece abaixo dos 41,7% registrados no fim de 2023. A indigência chegou a 7,5%, enquanto o desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre deste ano.
Os indicadores mostram diferenças entre as projeções de crescimento e a situação social do país. Embora o Banco Mundial preveja expansão econômica até 2027, os dados do Indec apontam aumento da pobreza e dificuldades no emprego. A próxima divulgação semestral do instituto permitirá avaliar a evolução desses indicadores na segunda metade de 2026.