Por que a França vive uma onda de protestos e violência?
Manifestações contra o alto custo de vida e a crise na educação se espalham pelo país, provocam confrontos com a polícia e deixam prédios públicos incendiados.
A França enfrenta uma onda de manifestações que ganhou força neste sábado (17), com centenas de milhares de pessoas nas ruas de diversas cidades. Os protestos começaram com reivindicações de estudantes por melhorias na educação, mas passaram a reunir trabalhadores, sindicatos e grupos insatisfeitos com o aumento do custo de vida e as políticas do governo do presidente Emmanuel Macron. Parte dos atos terminou em confrontos, incêndios, depredações e saques.
O que provocou os protestos?
A mobilização começou em setembro, quando estudantes do ensino médio passaram a denunciar a falta de professores, a precariedade das escolas e a superlotação das salas de aula. Além disso, os jovens questionam o sistema de acesso às universidades e cobram investimentos na educação pública.
Com o avanço das manifestações, outras categorias aderiram ao movimento. Trabalhadores e sindicatos passaram a protestar contra a perda do poder de compra, a alta dos preços e os cortes previstos no orçamento público. O movimento também ganhou apoio de participantes dos chamados Coletes Amarelos, que protagonizaram grandes protestos contra o governo francês a partir de 2018.
Incêndios, depredações e centenas de detenções
A violência atingiu cidades como Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux e Limoges. Na capital francesa, grupos encapuzados enfrentaram policiais, incendiaram veículos e saquearam estabelecimentos comerciais. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para conter os confrontos.
Em Limoges, indivíduos invadiram e incendiaram o prédio histórico da prefeitura. O fogo destruiu parte da cobertura e provocou o desabamento do campanário, segundo a imprensa francesa. Em Lyon, uma unidade do escritório de turismo também sofreu um incêndio. Já em Marselha, invasores depredaram a prefeitura.
Segundo o Ministério do Interior francês, aproximadamente 550 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país. A central sindical CGT, por outro lado, estimou a presença de 800 mil manifestantes. Além disso, as autoridades registraram cerca de 400 detenções durante a jornada de protestos.
Governo Macron enfrenta pressão
O presidente Emmanuel Macron condenou os ataques contra prédios públicos e prometeu responsabilizar os envolvidos. Já o primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os episódios de violência a grupos de extrema esquerda e criminosos.
Apesar dos confrontos, grande parte das manifestações ocorreu de forma pacífica. Enquanto isso, organizações estudantis e sindicais continuam pressionando o governo por melhorias nos serviços públicos e nas condições de vida.
A nova onda de protestos na França ocorre nos últimos meses do mandato de Macron. Além disso, amplia a tensão política no país, que terá eleições presidenciais em 2027.