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    Vitória democrata no Congresso pode limitar poder de Trump e abrir caminho para investigações

    Eleições legislativas de novembro podem alterar a relação de forças em Washington e impor obstáculos à agenda do presidente nos dois últimos anos de mandato.

    As eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, podem mudar o equilíbrio de poder em Washington e impor novas restrições ao governo de Donald Trump. Com os republicanos atualmente no controle das duas casas do Congresso, os democratas aparecem como favoritos para recuperar a Câmara dos Representantes. A disputa pelo Senado, porém, permanece indefinida. Uma vitória da oposição nas duas casas ampliaria sua capacidade de fiscalizar o Executivo, bloquear nomeações e negociar recursos federais.

    Para conquistar o controle do Congresso, os democratas precisam obter um saldo positivo de quatro cadeiras em cada uma das duas casas. Caso consigam, Trump enfrentará uma configuração semelhante à registrada após as eleições de 2018, quando perdeu a maioria na Câmara durante seu primeiro mandato. Naquela ocasião, o governo passou a enfrentar investigações parlamentares, disputas orçamentárias e maior resistência à implementação de suas propostas.

    Investigações e orçamento podem pressionar Trump

    O principal instrumento de uma eventual maioria democrata seria o controle das comissões parlamentares. Com isso, a oposição poderia convocar integrantes do governo, requisitar documentos e abrir investigações sobre decisões da Casa Branca. Entre os assuntos com potencial para provocar embates estão a condução da guerra contra o Irã, a política migratória e a atuação de autoridades federais. Entretanto, o governo poderia contestar judicialmente determinadas exigências, prolongando as disputas.

    Além disso, o Congresso teria maior influência sobre a aprovação de recursos destinados às atividades do governo. O financiamento das operações militares no exterior e os gastos com segurança e imigração poderiam entrar nas negociações. Um impasse prolongado também elevaria o risco de paralisação de serviços federais. Durante o primeiro mandato de Trump, uma disputa por recursos para o muro na fronteira com o México provocou uma paralisação de 35 dias, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019.

    O controle democrata do Senado acrescentaria outro obstáculo. A Casa tem competência para confirmar ministros, embaixadores e integrantes do Judiciário federal, incluindo ministros da Suprema Corte. Assim, uma maioria de oposição poderia rejeitar indicações presidenciais ou exigir negociações para aprová-las.

    Impeachment não significaria afastamento

    A possibilidade de um novo processo de impeachment também poderia ganhar espaço caso os democratas conquistem a Câmara. Trump já enfrentou dois processos durante seu primeiro mandato, mas foi absolvido pelo Senado em ambos. Entretanto, uma eventual terceira acusação não significaria afastamento automático. A condenação exige o apoio de dois terços dos senadores presentes, um patamar que dificilmente seria alcançado com uma maioria democrata estreita.

    Mesmo com o controle das duas casas, a oposição não teria liberdade para modificar toda a agenda presidencial. A maioria dos projetos no Senado depende de 60 votos para superar mecanismos de obstrução. Além disso, Trump manteria o poder de veto, que somente pode ser derrubado por maioria de dois terços nas duas casas. Nesta terça-feira (20), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que um Congresso liderado pelos democratas teria capacidade limitada de interromper as políticas do governo.

    Eleição pode antecipar disputa presidencial de 2028

    Uma eventual derrota republicana também teria consequências internas para o partido. Como a Constituição americana impede que uma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes, Trump não poderá disputar novamente a Presidência pelas regras atuais. Dessa forma, o resultado das eleições legislativas poderá acelerar as articulações em torno de sua sucessão em 2028.

    O tamanho de uma eventual derrota e a reação do eleitorado serão decisivos para determinar se os republicanos manterão a unidade em torno do presidente. Por outro lado, a permanência de maiorias republicanas no Congresso fortaleceria Trump na segunda metade de seu mandato. Até a votação de novembro, portanto, a possibilidade de um governo politicamente enfraquecido continua sendo um cenário, não uma consequência definida.

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