Justiça manda suspender ações de investigação de Trump sobre eleitores em nove estados
Decisão aponta falhas em dados utilizados pelo governo americano e risco de intimidação de eleitores; administração poderá recorrer até sexta-feira (23).
Uma juíza federal dos Estados Unidos determinou a suspensão de operações de campo ligadas à investigação eleitoral do governo Donald Trump em nove estados. A medida atinge ações contra pessoas suspeitas de votar sem possuir cidadania americana. Além disso, a decisão ocorre a menos de duas semanas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
A magistrada Araceli Martínez-Olguín, de um tribunal federal na Califórnia, identificou problemas nas informações que o Departamento de Segurança Interna (DHS) utiliza para investigar suspeitos. Segundo a decisão, os registros apresentam possíveis erros e podem levar agentes federais a abordar cidadãos americanos. A restrição abrange Califórnia, Connecticut, Geórgia, Missouri, Nevada, Nova York, Pensilvânia, Washington e Wisconsin.
Justiça aponta risco de intimidação de eleitores
A juíza também alertou para o risco de intimidação de cidadãos habilitados a votar. Além disso, considerou que as abordagens poderiam prejudicar organizações responsáveis por incentivar a participação eleitoral. Dessa forma, a magistrada decidiu limitar determinadas operações antes do encerramento da votação.
Na ação judicial, entidades como a California Nurses Association, a National Nurses United e a Voto Latino Foundation questionaram a atuação dos agentes federais. Autoridades de São Francisco e do condado de Santa Clara também participaram do processo. As organizações contestaram, sobretudo, o emprego de agentes armados e a confiabilidade dos registros utilizados nas investigações.
Governo Trump poderá recorrer
Por outro lado, o Departamento de Segurança Interna defendeu as operações e afirmou que busca identificar pessoas sem cidadania americana suspeitas de participação irregular nas eleições. O órgão também declarou que não pretende investigar indivíduos que considera cidadãos dos Estados Unidos.
Entretanto, a decisão não interrompe todas as investigações sobre possíveis irregularidades eleitorais. A restrição alcança operações de campo e entrevistas envolvendo pessoas reconhecidas ou razoavelmente suspeitas de serem cidadãs americanas.
Por fim, a juíza suspendeu temporariamente os efeitos da própria decisão até sexta-feira (23), permitindo que o governo apresente recurso. Caso entre em vigor, a ordem valerá até o fechamento das urnas em 3 de novembro.