A quatro dias das eleições, projeção indica risco de republicanos perderem Câmara e Senado nos EUA
Modelo do Decision Desk HQ aponta avanço democrata, enquanto custo de vida e política externa pressionam governo Trump.
A quatro dias das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, uma projeção do Decision Desk HQ indica a possibilidade de os republicanos perderem o controle das duas Casas do Congresso. O modelo, atualizado na quinta-feira (29), estima 238 cadeiras para os democratas na Câmara dos Representantes e 52 no Senado. Caso esse cenário se confirme nas urnas, o presidente Donald Trump enfrentará um Congresso controlado pela oposição durante os dois últimos anos de seu mandato.
Segundo o levantamento, os democratas têm 80% de probabilidade de conquistar a maioria da Câmara e 60% de assumir o Senado. O modelo considera pesquisas eleitorais e outros indicadores para simular possíveis resultados. Entretanto, os números não representam votos apurados nem garantem o resultado das eleições, marcadas para terça-feira, 3 de novembro.

Custo de vida
A economia aparece entre as maiores preocupações dos americanos. Segundo pesquisa AP-NORC divulgada em outubro, 85% dos eleitores registrados consideram a economia um dos temas mais importantes para definir seu voto. Além disso, 84% apontam o custo de vida como uma das principais questões eleitorais.
A insatisfação também alcança diretamente a Casa Branca. Outro levantamento AP-NORC mostrou que 65% dos adultos americanos responsabilizam as políticas de Trump pelos preços persistentemente elevados. Dessa forma, a inflação e as despesas das famílias passaram a ocupar espaço central na campanha pelo Congresso.
O cenário econômico também sofre influência da política externa. A guerra dos Estados Unidos contra o Irã contribuiu para a alta dos combustíveis e ampliou a pressão sobre os consumidores, ao lado de outros fatores, como as tarifas comerciais. Por isso, as decisões internacionais do presidente entraram no debate sobre o custo de vida.
Guerra no Irã
Uma pesquisa Gallup publicada na quinta-feira (29) reforça o peso da política externa na disputa. Entre os eleitores registrados, 50% consideram a economia extremamente importante para seu voto. O mesmo percentual aponta a saúde, enquanto 47% atribuem esse grau de importância à situação no Irã.
Além disso, a pesquisa AP-NORC identificou que 64% dos eleitores consideram a guerra com o Irã uma das questões mais importantes das eleições. O conflito, portanto, passou a integrar a discussão eleitoral ao lado dos preços, dos serviços de saúde e da imigração.
Rússia e Ucrânia
A posição de Trump diante da guerra entre Rússia e Ucrânia também provoca divergências entre os americanos. Uma pesquisa Economist/YouGov, publicada em 22 de outubro, revelou que 66% dos eleitores registrados simpatizam mais com a Ucrânia, enquanto apenas 3% demonstram maior simpatia pela Rússia.
Entretanto, o levantamento aponta diferenças importantes entre os partidos. Enquanto 72% dos democratas consideram que Trump demonstra maior simpatia pela Rússia, essa percepção aparece entre apenas 14% dos republicanos. No conjunto do eleitorado, 45% acreditam que o presidente se aproxima mais de Moscou, contra 16% que enxergam maior alinhamento com Kiev.
Uma pesquisa Harvard CAPS/Harris, realizada entre 24 e 26 de outubro, também mostrou que 64% dos eleitores defendem a continuidade do fornecimento de armas à Ucrânia e a adoção de novas sanções contra a Rússia. Ao mesmo tempo, 58% desaprovam a maneira como Trump conduz o conflito.