Ato pró-Bolsonaro une governadores e parlamentares de direita em SP
Tarcísio de Freitas classificou a atuação de Moraes como "tirania"
Em ato organizado por movimentos da direita e grupos religiosos, milhares de pessoas se reuniram neste domingo (7/9) na Avenida Paulista, em São Paulo. Os manifestantes defenderam anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pediram o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes e protestaram contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, a Avenida se tornou palco de forte disputa política.
Fala de Tarcísio
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a celebração da Independência é “incompleta” pela ausência do direito de ir e vir de Bolsonaro. Além disso, criticou o julgamento sobre os atos de 8 de janeiro e acusou a esquerda de criar “narrativas”.
“O que eles têm é uma única delação de um colaborador, mudada seis vezes em três dias, sob coação. Não se pode destruir a democracia sob o pretexto de resgatá-la”, declarou.
Tarcísio defendeu ainda uma anistia ampla e geral, em nome da pacificação. Segundo ele, esse movimento seria necessário “para que a gente possa se livrar do PT”. Dessa forma, o governador reforçou sua crítica à atuação de Alexandre de Moraes, que classificou como “tirania”.
Malafaia critica STF
O pastor Silas Malafaia também discursou. Ele pediu unidade da direita em torno de Bolsonaro e acusou o STF de abusos. Chamou Alexandre de Moraes de “ditador” e criticou a apreensão de seus cadernos de oração, realizada por ordem judicial em agosto. Enquanto isso, apoiadores aplaudiam o discurso e exibiam faixas de apoio ao ex-presidente.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Malafaia teria atuado como “orientador” de ações de coação articuladas por Bolsonaro e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O pastor, no entanto, negou as acusações e disse que não dialoga com autoridades estrangeiras.
Michelle Bolsonaro emociona apoiadores
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro encerrou o ato. Em tom religioso, falou das dificuldades enfrentadas pela família e da “vigilância desproporcional” contra o ex-presidente. Por fim, agradeceu aos apoiadores pela mobilização constante.
Atos em outros estados
Protestos semelhantes ocorreram em outras capitais. No Rio de Janeiro, uma multidão ocupou Copacabana. O ato contou com a presença do governador Cláudio Castro, Michelle Bolsonaro e deputados federais como Alexandre Ramagem, Eduardo Pazuello e Clarissa Garotinho. Ramagem, réu no julgamento da tentativa de golpe, pediu anistia irrestrita aos envolvidos. Dessa maneira, o movimento mostrou articulação nacional.
Contraponto de Lula e movimentos sociais
Enquanto isso, em Brasília, mais de 45 mil pessoas acompanharam o desfile cívico-militar na Esplanada. O presidente Lula, o presidente da Câmara Hugo Motta e ministros do Executivo participaram. Parte do público gritou “sem anistia” e “soberania não se negocia”.
No mesmo dia, o Grito dos Excluídos e sindicatos também foram às ruas. O desfile oficial teve como tema central a soberania do país. Além disso, os organizadores destacaram a COP30, que ocorrerá em Belém, e o Novo PAC.
Em pronunciamento, Lula chamou os que trabalham contra o Brasil de “traidores da pátria”. Portanto, reforçou a necessidade de união em torno da defesa da democracia.
Contexto internacional
As comemorações de 7 de setembro ocorreram em meio à crise entre Brasil e Estados Unidos. O presidente Donald Trump impôs tarifas a produtos brasileiros, em apoio a Bolsonaro, que é julgado pelo STF por tentativa de golpe e abolição do Estado Democrático de Direito. O julgamento deve ser concluído nesta semana, e por isso aumenta a tensão política.