União Europeia aprova acordo com Mercosul
Decisão histórica libera assinatura do tratado de livre comércio e destrava etapa final no Parlamento Europeu
A União Europeia aprovou, nesta sexta-feira, a assinatura do acordo UE-Mercosul, que envolve Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A decisão reuniu ampla maioria entre os Estados-membros e destravou a etapa política mais sensível do processo.
Logo após a votação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou o resultado. Segundo ela, o aval do Conselho representa um marco histórico. Além disso, a dirigente afirmou que a Europa envia um sinal claro de previsibilidade econômica e compromisso com regras multilaterais.
Próximos passos do acordo UE-Mercosul
Com a aprovação política, a Comissão Europeia poderá avançar para a assinatura formal do tratado. A cerimônia deve ocorrer no Paraguai já na próxima semana, país que exerce a presidência rotativa do Mercosul. Em seguida, o texto seguirá para análise do Parlamento Europeu.
Ainda assim, Ursula ressaltou o cenário internacional desafiador. Segundo ela, disputas comerciais se intensificaram nos últimos anos. Portanto, acordos estáveis ganham relevância estratégica. “A Europa traça seu próprio caminho e se mantém como parceira confiável”, afirmou.
Além disso, a presidente elogiou a cooperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a presidência brasileira do Mercosul, entre julho e dezembro de 2025. Para a Comissão, o diálogo facilitou consensos.
Países que votaram contra o tratado entre UE e Mercosul
Apesar do placar favorável, alguns governos se opuseram ao entendimento. Segundo o ministro da Agricultura da Polônia, Stefan Krajewski, votaram contra Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia.
Mesmo assim, a proposta superou o quórum exigido. Pelas regras do bloco, eram necessários ao menos 15 dos 27 países, representando 65% da população total. O acordo atingiu esse critério com margem confortável.
Impacto econômico do acordo comercial para o Brasil
No Brasil, lideranças políticas e empresariais comemoraram a decisão. A ApexBrasil estima que o tratado cria um mercado combinado de quase US$ 22 trilhões. Além disso, a agência projeta incremento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para a Europa.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou o alcance do mercado europeu. Segundo ele, a região reúne mais de 700 milhões de consumidores. O PIB combinado só fica atrás dos Estados Unidos.
Além disso, Viana ressaltou a qualidade da pauta exportadora brasileira. Atualmente, mais de um terço do que o Brasil vende ao bloco europeu vem da indústria de transformação. Assim, o acordo tende a fortalecer cadeias de maior valor agregado.
Setores beneficiados pela parceria UE-Mercosul
O texto prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte. Entre eles, estão motores, geradores de energia, autopeças e aeronaves. Esses segmentos são estratégicos para a inserção competitiva do Brasil.
Além disso, o tratado amplia oportunidades para couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e produtos químicos. No caso das commodities, as tarifas cairão de forma gradual, até zerar, respeitando cotas específicas.
Frase de impacto: Depois de duas décadas, Europa e Mercosul tiram do papel um acordo que reposiciona o comércio global.