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    Enamed como exame de proficiência médica avança no Congresso

    Governo quer condicionar registro profissional ao desempenho de médicos recém-formados em avaliação nacional

    O governo federal vai propor ao Congresso Nacional que o Enamed como exame de proficiência médica se torne requisito para o exercício da medicina no Brasil. A medida pretende condicionar o registro profissional ao desempenho do médico recém-formado no exame nacional.

    A proposta foi confirmada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante entrevista coletiva. O tema surge enquanto o Congresso discute a criação de um exame nacional de proficiência para médicos, nos moldes do aplicado aos advogados.

    Segundo o ministro, o governo quer apresentar o Enamed como uma alternativa mais completa. O exame avalia o estudante ao longo da graduação, no segundo, quarto e sexto anos do curso.


    🏥 Avaliação ao longo do curso

    Para Padilha, o principal diferencial do Enamed está no caráter progressivo da avaliação. O modelo permite acompanhar a evolução do aluno durante a formação médica, e não apenas no fim do curso.

    Outro ponto destacado pelo ministro é que o exame fica sob responsabilidade do Ministério da Educação. Segundo ele, isso garante foco exclusivo na qualidade da formação médica.

    O ministro também esclareceu que a proposta depende de mudança na legislação. Por isso, não valeria para o Enamed 2025, cujo resultado foi divulgado nesta semana. A exigência passaria a valer apenas para edições futuras.


    📊 Desempenho dos estudantes e instituições

    Padilha rebateu críticas de que o Enamed revelou um cenário generalizado de crise na formação médica. De acordo com ele, a maioria dos estudantes apresentou desempenho positivo.

    Mesmo em cursos mal avaliados, muitos alunos obtiveram bons resultados. Para o governo, isso indica que o problema está mais ligado à estrutura das instituições do que ao desempenho individual.

    O ministro defendeu medidas duras contra cursos que não melhorarem seus indicadores. Entre as sanções estão o bloqueio de novos vestibulares, a suspensão da ampliação de vagas e até o fechamento dos cursos.


    ⚖️ Divergência com entidades médicas

    A ideia de usar o Enamed como exame de proficiência também ganhou apoio do Conselho Federal de Medicina. A entidade estuda impedir o registro de formandos com nota insuficiente, inclusive com base no exame de 2025.

    Para o CFM, os resultados indicam um problema estrutural grave. Cerca de um terço dos cursos avaliados teve desempenho considerado insuficiente, sobretudo na rede privada e municipal.

    A proposta, no entanto, enfrenta resistência. A Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados critica o uso do Enamed já aplicado como filtro profissional.

    Segundo a entidade, cabe ao Estado regular a formação acadêmica. Para a Abramepo, a atuação do CFM como “segundo filtro” extrapola suas atribuições legais.


    🧠 Caminho para a “OAB dos médicos”

    O Enamed integra um conjunto de medidas recentes para elevar a qualidade da formação médica. Entre elas estão as novas diretrizes curriculares e o fortalecimento do Exame Nacional de Residência, o Enare.

    A partir deste ano, o Enare passou a aceitar a nota do Enamed como critério de ingresso. Com isso, o exame ganha peso crescente no sistema de formação médica.

    O debate indica que o país caminha para um modelo semelhante à “OAB dos médicos”, mas com coordenação estatal. O tema segue em discussão no Congresso e deve gerar resistência corporativa e disputas políticas.

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