Power bank em avião: o que muda para passageiros em voos no Brasil
Casos recentes em voos comerciais reacenderam o alerta sobre baterias de lítio e ampliaram a atenção para as regras da Anac e das companhias aéreas
Levar power bank em viagem de avião continua permitido no Brasil. Ainda assim, o item passou a exigir mais atenção de passageiros, tripulação e companhias aéreas. O motivo é o risco de superaquecimento, fumaça e incêndio provocado por baterias de íon de lítio. Nos últimos meses, casos em voos comerciais reforçaram esse alerta e colocaram o tema no centro do debate da aviação.
Na prática, a principal regra já está definida. A Anac proíbe o transporte de power bank na bagagem despachada. O passageiro só pode levar o carregador portátil na bagagem de mão. Além disso, precisa proteger o equipamento contra curto-circuito. A agência também recomenda manter a bateria em local visível e acessível. Dessa forma, a tripulação consegue agir com mais rapidez em caso de falha.
Regras ficaram mais rígidas
Outro ponto importante envolve a capacidade da bateria. Equipamentos com até 100 Wh podem ser transportados. Já baterias entre 100 Wh e 160 Wh exigem autorização prévia da companhia aérea. Além disso, há limite de quantidade nesses casos. Como muitos fabricantes informam a capacidade em mAh, o passageiro precisa checar esse dado antes do embarque. Em média, 100 Wh equivalem a cerca de 27 mil mAh. Já 160 Wh correspondem a cerca de 40 mil mAh, a depender da voltagem do aparelho.
A Anac também orienta o passageiro a não usar o power bank para carregar outros aparelhos durante o voo. Além disso, recomenda informar a tripulação imediatamente em caso de aquecimento, fumaça ou falha. O objetivo é reduzir o tempo de resposta. Com isso, a equipe consegue conter o problema antes que ele ganhe proporções maiores dentro da cabine.
Casos recentes acenderam o alerta
O tema voltou ao noticiário após um voo da Latam, que saiu de São Paulo para Brasília, precisar pousar em Ribeirão Preto. A tripulação desviou a rota depois de um incidente com um power bank a bordo. Três passageiros passaram mal após o susto. Eles receberam atendimento ainda na pista e não precisaram ir ao hospital.
Antes disso, em agosto de 2025, um carregador portátil pegou fogo em um voo entre São Paulo e Amsterdã. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram fumaça dentro da aeronave. O caso teve grande repercussão e ampliou a atenção do setor aéreo para esse tipo de equipamento. Assim, o debate deixou de ser apenas técnico e passou a fazer parte da rotina de quem embarca com eletrônicos.
O que explica o risco
Especialistas afirmam que a bateria de íon de lítio não oferece mais risco apenas por estar dentro do avião. O problema surge quando o equipamento sofre impacto, aquece demais ou apresenta defeito de fabricação. Nessas situações, a bateria pode entrar em curto e provocar fogo. Em solo, isso já preocupa. No avião, a situação exige resposta imediata, porque a cabine é um ambiente fechado.
Por isso, especialistas também defendem o uso de produtos certificados e de fabricantes confiáveis. Equipamentos muito baratos, sem procedência clara, costumam despertar mais desconfiança. No fim das contas, o power bank continua permitido em voos no Brasil. No entanto, ele já não é tratado como um acessório comum. Hoje, o item entrou de vez na lista de produtos que exigem cuidado redobrado na aviação comercial.