Senado defende ação conjunta para reduzir impactos do El Niño no Brasil
Especialistas alertam para risco de seca, calor extremo, chuvas irregulares e prejuízos à agricultura entre 2026 e 2027
O possível impacto do El Niño no Brasil voltou ao centro do debate no Senado. Em audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia, especialistas defenderam uma ação conjunta entre União, estados, municípios e instituições científicas.
Segundo os debatedores, medidas isoladas têm efeito limitado diante de eventos climáticos extremos. Por isso, o país precisa unir monitoramento, alertas, planejamento urbano, defesa civil e apoio ao setor produtivo.
Além disso, os especialistas afirmaram que a prevenção deve começar antes da confirmação total do fenômeno. Dessa forma, governos e órgãos técnicos podem reduzir danos à população, à economia e à agricultura.
O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que presidiu a audiência, afirmou que o país precisa agir de forma sincronizada. Já o senador Wellington Fagundes (PL-MT) defendeu a criação de um plano preventivo nacional, principalmente por causa dos riscos para a agropecuária.
Risco climático
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Com isso, o fenômeno altera o regime de chuvas e pode elevar as temperaturas em várias regiões do planeta.
Durante o debate, o coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Antônio Marengo Orsini, disse que ainda é cedo para confirmar a intensidade do fenômeno. Ainda assim, ele lembrou que até episódios moderados já causaram impactos severos no Brasil.
A tendência apontada por especialistas é de menos chuva no Norte e no Nordeste. Por outro lado, o Sul pode registrar aumento de chuva. Além disso, as temperaturas devem subir em praticamente todo o país.
O Transmissão Política já mostrou que um possível Super El Niño pode ampliar o risco de seca, calor e perdas na safra brasileira.
Leia também: https://transmissaopolitica.com.br/cidades/2026/05/25/super-el-nino-seca-calor-brasil-safra/
Prevenção
Na audiência, técnicos defenderam que a ciência ajude o poder público a agir antes dos desastres. Segundo eles, os alertas são importantes, mas não resolvem o problema sozinhos.
Por isso, o país precisa identificar áreas vulneráveis. Além disso, deve melhorar a comunicação com a população e preparar planos de contingência.
Os municípios também precisam receber informações claras. Assim, podem agir com mais rapidez em situações de risco.
O coordenador-geral de monitoramento e alerta do Cenad, Tiago Schnorr, afirmou que o monitoramento ocorre diariamente. Segundo ele, os alertas geológicos e hidrológicos chegam a estados e municípios.
Agricultura preocupa
A agropecuária apareceu como uma das áreas mais vulneráveis. O pesquisador Eduardo Monteiro, da Embrapa, afirmou que o Brasil vive um cenário mais quente e seco, especialmente no Brasil Central.
Segundo ele, eventos recentes já causaram perdas bilionárias ao campo. Além disso, atrasos no início das chuvas prejudicam o plantio e aumentam a pressão sobre produtores.
Diante disso, especialistas defendem planejamento antecipado. Com medidas preventivas, produtores podem reduzir perdas e adaptar o calendário agrícola.
O tema também se conecta ao alerta sobre calor extremo e chuvas irregulares. O Transmissão Política mostrou, em outras reportagens do especial, como o fenômeno pode afetar diferentes regiões do país.
Leia também: https://transmissaopolitica.com.br/cidades/2026/05/23/super-el-nino-2026-calor-extremo-brasil/
Leia também: https://transmissaopolitica.com.br/cidades/2026/05/18/super-el-nino-2026-calor-chuvas-irregulares/
Amazônia e Sul
Na Amazônia, a redução das chuvas aumenta o risco de queimadas. Além disso, a floresta chega ao novo ciclo climático fragilizada por secas anteriores, desmatamento e degradação.
A pesquisadora Ima Célia Guimarães Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, afirmou que a região exige atenção especial. Segundo ela, os efeitos do El Niño podem agravar problemas ambientais já existentes.
No Sul, os especialistas também demonstraram preocupação. A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, disse que o Rio Grande do Sul ainda convive com medo após eventos climáticos extremos recentes.
Portanto, os debatedores defenderam mais investimento em ciência, prevenção e comunicação pública. Para eles, o país precisa transformar dados técnicos em ações concretas antes que os impactos cheguem à população.