Dino autoriza 3º inquérito contra Lulinha e manda apurar vazamentos
Nova investigação analisa suspeitas de tráfico de influência; procedimento separado vai apurar a divulgação de dados sigilosos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4/8) o terceiro inquérito contra Lulinha.
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Polícia Federal (PF) solicitou a nova investigação para esclarecer suspeitas de tráfico de influência.
Os investigadores apuram uma possível atuação de Lulinha para favorecer empresas parceiras na obtenção de contratos ou negócios com órgãos do governo federal.
Empresa citada
Uma das empresas citadas nessa frente de investigação é a 3Structure IT Ltda., que atua no setor de tecnologia.
A PF suspeita que Lulinha teria usado a proximidade com o governo para beneficiar a companhia e pessoas ligadas ao seu círculo empresarial.
Flávio Dino recebeu o caso por sorteio na segunda-feira (3/8).
A distribuição ocorreu porque os investigadores não apontaram uma ligação direta entre o caso e os inquéritos conduzidos pelo ministro André Mendonça.
Com o terceiro inquérito contra Lulinha, a Polícia Federal poderá realizar diligências para confirmar ou descartar as suspeitas.
Entretanto, a abertura da investigação não representa denúncia ou condenação do empresário.
Outros inquéritos
Os dois primeiros inquéritos envolvendo Lulinha estão sob a relatoria de André Mendonça.
Um deles apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal.
Nesse caso, a investigação busca esclarecer se o empresário teria atuado em benefício de uma companhia ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes.
Ele é conhecido como “Careca do INSS”.
Já a segunda apuração analisa possíveis irregularidades em negociações envolvendo a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, a Dataprev.
Segundo a investigação, um empresário do setor de tecnologia teria atuado com Lulinha, Antunes e a empresária Roberta Luchsinger.
O grupo teria tentado conseguir contratos públicos.
Dados vazados
Além de autorizar o terceiro inquérito contra Lulinha, Dino determinou a abertura de uma investigação separada.
O procedimento vai apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas às apurações envolvendo o filho do presidente.
A medida atende a um pedido da defesa de Lulinha.
Os advogados afirmam que dados protegidos por sigilo foram divulgados antes de uma manifestação formal nos processos.
Por isso, pediram a identificação dos responsáveis.
A defesa de Lulinha nega irregularidades.
Além disso, sustenta que o empresário não atuou para beneficiar empresas ou pessoas dentro do governo federal.
Por fim, afirma que ele permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.