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    Plano de Lula prevê jornada de 40 horas e novo ministério

    Programa registrado no TSE reúne propostas trabalhistas, econômicas, sociais e administrativas para um eventual novo mandato presidencial.

    O plano de governo de Lula para as eleições de 2026 propõe reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem diminuir salários.

    O documento também prevê criar o Ministério da Segurança Pública, ampliar serviços digitais do SUS e manter o atual arcabouço fiscal.

    O PT apresentou as diretrizes ao Tribunal Superior Eleitoral junto ao pedido de registro da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.

    Com 84 páginas, o programa organiza as propostas para um eventual novo mandato em 13 eixos.

    Entretanto, o registro não transforma as medidas em políticas públicas. Parte delas dependerá de aprovação do Congresso, disponibilidade orçamentária e regulamentação posterior.

    Mudanças no trabalho

    Na área trabalhista, o programa defende o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

    Além disso, propõe limitar a jornada semanal a 40 horas, sem redução salarial.

    A campanha afirma que continuará atuando no Senado para aprovar a mudança. Portanto, a medida dependerá do avanço de propostas em discussão no Congresso.

    O plano também prevê conter a pejotização e retomar a assistência sindical nas homologações de rescisões trabalhistas.

    Para trabalhadores de aplicativos, o documento propõe regras sobre remuneração, direitos previdenciários, condições laborais e transparência dos algoritmos.

    Já para pequenos empreendedores, as diretrizes incluem crédito produtivo, qualificação, simplificação tributária e maior proteção social.

    Arcabouço fiscal

    Na economia, o plano de governo de Lula promete manter o arcabouço fiscal e controlar o crescimento das despesas primárias.

    Ao mesmo tempo, a campanha pretende ampliar investimentos públicos e privados, estimular o crescimento e buscar uma redução sustentada dos juros.

    O documento associa a melhora das contas públicas ao crescimento econômico, à eficiência dos gastos e à progressividade tributária.

    Contudo, o texto não apresenta metas anuais detalhadas para receitas, despesas ou resultado fiscal.

    Assim, a execução das propostas dependerá das condições econômicas e das leis orçamentárias aprovadas pelo Congresso.

    Emendas

    O programa também critica o peso das emendas parlamentares no Orçamento federal.

    Segundo o documento, esses recursos reduzem a capacidade de planejamento do Executivo e dispersam investimentos públicos.

    Por isso, a campanha propõe ampliar a transparência e promover um debate social sobre o funcionamento das emendas.

    O tema poderá gerar resistência no Congresso. Afinal, deputados e senadores ampliaram sua influência sobre a distribuição de recursos nos últimos anos.

    Além disso, mudanças nas emendas impositivas podem exigir alterações constitucionais e acordos com as direções da Câmara e do Senado.

    Novo ministério

    Na segurança pública, o programa condiciona a criação de um novo ministério à aprovação da PEC da Segurança Pública.

    A pasta coordenaria políticas nacionais dentro do Sistema Único de Segurança Pública.

    Além disso, o plano prevê ampliar a cooperação entre União, estados e municípios contra organizações criminosas.

    As diretrizes incluem ações contra a movimentação financeira do crime, maior rastreamento de armas e incentivos ao uso de câmeras corporais.

    O documento também propõe padrões nacionais para armazenar imagens desses equipamentos e reforçar o combate a crimes cibernéticos.

    Entretanto, a reorganização administrativa dependerá do formato final aprovado pelo Congresso.

    Saúde digital

    A saúde ocupa espaço relevante no programa apresentado pela campanha.

    Entre as propostas estão a expansão do Farmácia Popular e a inclusão de exames laboratoriais, diagnósticos e monitoramento de doenças crônicas.

    O plano também prevê ampliar teleconsultas e consolidar um prontuário nacional acessível ao cidadão.

    Além disso, a campanha propõe uma fila digital organizada conforme o risco clínico de cada paciente.

    Ferramentas de inteligência artificial ajudariam na triagem e no diagnóstico em regiões com poucos especialistas.

    Ainda assim, a implantação exigirá infraestrutura tecnológica, proteção de dados e integração entre os sistemas federal, estaduais e municipais.

    Educação e clima

    Na educação, o programa estabelece a meta de alfabetizar 80% das crianças na idade adequada.

    Também prevê ampliar escolas em tempo integral, manter o Pé-de-Meia e expandir institutos federais para cidades com pouca oferta de cursos técnicos.

    Na área ambiental, o documento transforma a adaptação climática em eixo permanente do planejamento público.

    Dessa forma, estados e municípios receberiam estímulos para criar planos contra calor extremo, secas, enchentes e outros eventos climáticos.

    O programa ainda prevê investimentos em segurança hídrica e revitalização de bacias hidrográficas.

    Soberania

    A defesa da soberania nacional aparece como um dos principais eixos políticos do documento.

    A proposta inclui regulamentação das plataformas digitais, proteção de dados e cooperação internacional em tecnologias estratégicas.

    Na política externa, a campanha defende aprofundar o Mercosul e ampliar conexões de infraestrutura com o Pacífico e o Caribe.

    Além disso, propõe um mercado sul-americano de energia, novos acordos comerciais e maior cooperação com países africanos.

    Próximos passos

    O TSE ainda analisará o pedido de registro da candidatura de Lula e Alckmin.

    Partidos e coligações podem apresentar candidaturas até as 19h de 15 de agosto.

    Depois, a propaganda eleitoral estará autorizada a partir de 16 de agosto.

    Durante a campanha, as diretrizes deverão servir como base para debates, entrevistas e comparações com os programas dos demais candidatos.

    Caso Lula vença, o documento orientará o governo. Contudo, a concretização das propostas dependerá de negociações políticas, recursos públicos e decisões legislativas.

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