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    Governo tenta evitar volta da “taxa das blusinhas”

    Medida provisória mantém zerado o Imposto de Importação para compras de até US$ 50, mas precisa passar pelo Congresso até 22 de setembro.

    O governo federal tenta acelerar no Congresso a votação da medida provisória que encerrou a chamada taxa das blusinhas.

    A MP 1.357/2026 zerou o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 no Programa Remessa Conforme.

    Entretanto, a medida perderá validade se Câmara e Senado não concluírem a votação até 22 de setembro.

    Por isso, o Palácio do Planalto incluiu o texto entre as prioridades do esforço concentrado do Congresso nesta semana.

    Isenção já vale

    O governo publicou a medida em 12 de maio. Assim, a isenção federal já alcança as compras realizadas dentro das regras do programa.

    A mudança beneficia remessas de até US$ 50 destinadas a pessoas físicas.

    Por outro lado, a MP não elimina tributos estaduais. Portanto, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços segue regras próprias.

    Para encomendas entre US$ 50 e US$ 3 mil, permanece a alíquota federal de 60%.

    Contudo, o cálculo mantém uma dedução fixa de US$ 30 sobre o valor do Imposto de Importação.

    Taxação começou em 2024

    O Congresso aprovou a cobrança federal de 20% sobre pequenas importações em 2024.

    Na época, parlamentares e representantes do varejo nacional defenderam a medida como proteção contra a concorrência estrangeira.

    Entretanto, consumidores criticaram o aumento do preço final nas compras realizadas por plataformas internacionais.

    Depois, o governo recuou e editou a MP para restabelecer a isenção federal em maio de 2026.

    Agora, o Congresso decidirá se transforma essa mudança temporária em regra permanente.

    Pressão eleitoral

    Segundo a CNN Brasil, a articulação governista também considera o impacto eleitoral da tributação.

    Integrantes do Planalto avaliam que a cobrança prejudicou a popularidade do governo entre consumidores de menor renda.

    Por isso, o Executivo pretende evitar o retorno do imposto durante a campanha presidencial.

    A propaganda eleitoral começará em 16 de agosto. Além disso, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro.

    Consequentemente, qualquer mudança no preço das encomendas poderá entrar no debate entre governo e oposição.

    Varejo reage

    A proposta também enfrenta resistência de parlamentares ligados à indústria e ao comércio nacional.

    Os críticos argumentam que a isenção favorece plataformas estrangeiras e aumenta a diferença tributária em relação às empresas brasileiras.

    Além disso, eles defendem medidas compensatórias para preservar empregos e competitividade no mercado interno.

    Já os apoiadores do fim da taxa das blusinhas afirmam que a cobrança atinge consumidores que compram produtos de baixo valor.

    Portanto, a negociação deverá envolver tanto a tributação das remessas quanto possíveis contrapartidas ao varejo brasileiro.

    Congresso acumula MPs

    A Câmara informou que o Congresso iniciou agosto com 32 medidas provisórias pendentes.

    Além da taxa das blusinhas, a lista inclui propostas sobre combustíveis, transporte, dívidas, exportações e ressarcimentos do INSS.

    As MPs produzem efeitos imediatamente. Contudo, precisam passar por uma comissão mista, pela Câmara e pelo Senado.

    No caso da MP 1.357, o Congresso designou uma comissão com deputados e senadores. Porém, o colegiado ainda não concluiu seu parecer.

    Assim, o governo precisará acelerar diferentes etapas antes do prazo final.

    O que pode acontecer

    O Congresso pode aprovar o texto sem mudanças, alterar suas regras ou rejeitar integralmente a medida provisória.

    Caso os parlamentares modifiquem a proposta, o texto também poderá voltar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção ou veto.

    Entretanto, se Câmara e Senado não concluírem a votação até 22 de setembro, a MP perderá validade.

    Nesse cenário, a isenção federal poderá deixar de vigorar, conforme a regulamentação adotada posteriormente pelo Ministério da Fazenda.

    Portanto, o preço das compras internacionais dependerá agora do acordo político construído no Congresso.

    Próximos passos

    Líderes governistas tentarão incluir a proposta nas negociações do esforço concentrado.

    Antes dos plenários, porém, a comissão mista precisa analisar as emendas e apresentar seu parecer.

    Depois, a Câmara votará o texto. Se houver aprovação, o Senado dará a decisão final.

    Assim, a disputa sobre a taxa das blusinhas volta ao centro da agenda econômica e eleitoral de Brasília.

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