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    A teia de Vorcaro: de Lula a Nikolas, veja os políticos ligados ao ex-dono do Banco Master

    Mensagens, reuniões, viagens e pagamentos revelam uma rede que atravessa esquerda, direita e Centrão; natureza das relações varia e presença nos documentos não significa envolvimento em irregularidades

    O avanço das investigações sobre o Banco Master revelou muito mais do que operações financeiras atribuídas ao grupo de Daniel Vorcaro.

    Aos poucos, documentos, mensagens e depoimentos começaram a mostrar uma extensa rede de relações construída pelo ex-banqueiro em Brasília.

    Essa rede não ficou restrita a um partido ou grupo ideológico. Pelo contrário, Vorcaro manteve contatos com nomes ligados ao governo Lula, ao bolsonarismo, ao Centrão e a diferentes administrações anteriores.

    Entre os personagens estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Ciro Nogueira, Hugo Motta, Marconi Perillo e outros nomes conhecidos da política nacional.

    No entanto, os vínculos são diferentes. Há reuniões institucionais, contratos de consultoria, viagens, hospedagens e pedidos de ajuda.

    Além disso, existem relações que entraram diretamente no radar da Polícia Federal.

    Por isso, aparecer na rede de contatos de Vorcaro não significa, por si só, participação nas irregularidades investigadas no Banco Master.

    Veja o que já se tornou público até esta quinta-feira, 3 de setembro.

    Lula

    Daniel Vorcaro esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024.

    O encontro aconteceu antes de o escândalo envolvendo o Banco Master ganhar dimensão pública. Vorcaro foi acompanhado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

    O então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também participou da reunião.

    Posteriormente, Lula confirmou o encontro e afirmou que deixou claro que não haveria interferência política no caso do banco.

    Segundo o presidente, qualquer decisão deveria seguir critérios técnicos dos órgãos responsáveis.

    Portanto, até agora, as informações divulgadas sobre Lula apontam para a existência do encontro. Não há, nas fontes consultadas, indicação de pagamento de Vorcaro ao presidente.

    Flávio Bolsonaro

    A relação com Flávio Bolsonaro ganhou destaque por causa do projeto do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro.

    Mensagens reveladas em 2026 mostraram que Flávio pediu recursos a Vorcaro para financiar a produção.

    Segundo as informações divulgadas, o valor negociado chegou a R$ 134 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 61 milhões foram repassados.

    Flávio reconheceu que pediu o investimento. Entretanto, afirmou que não recebeu pessoalmente o dinheiro e negou ter oferecido qualquer contrapartida ao ex-banqueiro.

    O caso passou a chamar ainda mais atenção porque o destino completo dos recursos continuou cercado por questionamentos.

    A produtora responsável pelo filme chegou a afirmar que não recebeu dinheiro de Vorcaro diretamente para a produção.

    Assim, a relação entre Flávio e Vorcaro se tornou um dos capítulos politicamente mais sensíveis do caso Master.

    Nikolas Ferreira

    Nikolas Ferreira entrou novamente no centro das revelações nesta quinta-feira.

    Mensagens divulgadas mostram Vorcaro afirmando que havia bancado voos utilizados pelo deputado.

    Em 2022, Nikolas também utilizou um avião pertencente a Vorcaro durante atividades ligadas à campanha eleitoral. O parlamentar declarou que, inicialmente, não sabia quem era o proprietário da aeronave.

    Além disso, um áudio de março de 2025 revelou outro contato.

    Nikolas procurou Vorcaro para pedir ajuda em uma questão envolvendo um ativo minerário de interesse de um amigo ligado ao seu gabinete.

    O deputado encaminhou o contato do advogado para Vorcaro. O empresário respondeu positivamente ao pedido de aproximação.

    Nikolas afirma que manteve apenas dois contatos com o ex-banqueiro. Ele também nega ter recebido dinheiro ou cometido qualquer irregularidade.

    Ciro Nogueira

    A relação entre Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira aparece com intensidade maior nos documentos analisados pela Polícia Federal.

    Registros indicam viagens internacionais, hospedagens e despesas custeadas pelo ex-banqueiro.

    Em junho de 2024, por exemplo, Vorcaro pagou hospedagem para Ciro no hotel Four Seasons Ritz, em Lisboa.

    Segundo documentos analisados pela PF, cinco diárias em uma suíte chegaram a aproximadamente R$ 91 mil.

    Os investigadores também identificaram outras despesas envolvendo viagens internacionais.

    Além disso, a relação entre Ciro e Vorcaro passou a integrar diretamente as apurações do caso Master.

    Dessa forma, esse é um dos vínculos políticos que receberam maior atenção da investigação até agora.

    Hugo Motta

    O presidente da Câmara, Hugo Motta, também aparece no episódio envolvendo Lisboa.

    Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro pediu a um auxiliar reservas de quartos para ele, Ciro Nogueira e Hugo Motta.

    A hospedagem ocorreu durante um período em que políticos e integrantes do mundo jurídico estavam na capital portuguesa.

    Vorcaro ainda determinou um forte esquema de privacidade para um encontro realizado no local.

    Hugo confirmou a viagem e declarou estar tranquilo sobre o episódio.

    Assim como nos demais casos, a existência da hospedagem paga pelo empresário não significa automaticamente participação nas fraudes atribuídas ao Master.

    Marconi Perillo

    As conexões de Vorcaro também chegaram diretamente à política de Goiás.

    Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontaram pagamentos do Banco Master para a MV Projetos e Consultoria, empresa de Marconi Perillo.

    Segundo os dados, a empresa recebeu R$ 14,5 milhões entre 2022 e 2025.

    Marconi afirmou que os valores correspondem a serviços de consultoria e análise de cenários.

    Além disso, declarou que o Banco Master era considerado uma instituição idônea quando o contrato começou.

    O ex-governador também negou possuir vínculo pessoal com os dirigentes do banco.

    Portanto, nesse caso, o vínculo conhecido envolve uma relação comercial formal declarada pelo próprio político.

    Jaques Wagner

    Outro nome de peso que apareceu no caso foi o senador Jaques Wagner.

    Documentos fiscais mostraram pagamentos de R$ 14,2 milhões para a BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador.

    Além disso, registros indicaram R$ 289 mil destinados ao próprio Wagner. Ele declarou que esse valor correspondia a rendimento de aplicação financeira.

    Posteriormente, Wagner virou alvo de uma fase da Operação Compliance Zero.

    O senador negou irregularidades e declarou que sua relação pessoal com Vorcaro era praticamente inexistente.

    Esse capítulo colocou o caso Master ainda mais perto do núcleo político do governo Lula.

    Temer, Mantega, Meirelles e Rueda

    A lista de relações comerciais conhecidas é ainda maior.

    Documentos da Receita Federal apontaram pagamentos do Banco Master a empresas e escritórios ligados a diferentes personagens da política nacional.

    Entre eles aparecem o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Guido Mantega, o ex-ministro Henrique Meirelles e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

    Segundo os documentos, o Master declarou R$ 18,5 milhões pagos a Meirelles e R$ 14 milhões à consultoria de Mantega.

    Além disso, informou R$ 10 milhões para o escritório de Temer e R$ 6,4 milhões para escritórios ligados a Rueda.

    Os citados afirmaram que os pagamentos correspondiam a serviços profissionais prestados ao banco.

    Portanto, esses registros não comprovam irregularidades por parte dos contratados.

    ACM Neto

    ACM Neto também aparece em documentos e mensagens relacionados ao ex-dono do Master.

    Além de contratos envolvendo empresa ligada ao político baiano, uma mensagem recuperada pela Polícia Federal mostrou Vorcaro comentando com Fábio Faria sobre um encontro com ACM.

    Na conversa, Vorcaro afirmou que ACM havia ido à sua casa e relatou ter recebido apoio do político.

    A Polícia Federal, contudo, não apontou naquele material qual era o contexto específico desse apoio.

    Por isso, não é possível concluir, apenas com a mensagem, qual era o objetivo da conversa.

    Fábio Faria aparece como ponte

    O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria também aparece repetidamente nas mensagens recuperadas.

    Ele mantinha contato com Vorcaro e participou de articulações envolvendo encontros com outras autoridades.

    Segundo documentos da PF, Faria esteve envolvido, por exemplo, na aproximação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

    Dessa forma, o ex-ministro aparece como uma das pontes usadas pelo banqueiro para ampliar sua rede de relações em Brasília.

    A rede chegou ao Judiciário

    Embora o foco político seja extenso, as revelações mais explosivas dos últimos dias envolveram o Judiciário.

    Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro manteve contatos com Alexandre de Moraes enquanto enfrentava problemas relacionados ao Banco Master.

    Os documentos fazem referência a pedidos para que autoridades como o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, fossem procuradas.

    Entretanto, o material divulgado até agora não demonstra que esses pedidos tenham sido atendidos.

    A PF também identificou referências a pelo menos seis encontros envolvendo Vorcaro e Moraes.

    Além disso, investigadores encontraram documentos relacionados ao contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

    O escritório afirma que prestou serviços ao banco dentro da legalidade. O caso abriu uma crise dentro do próprio Supremo e ainda está em discussão.

    Uma rede sem lado político

    O conjunto das revelações ajuda a explicar por que o caso Banco Master ultrapassou rapidamente o mercado financeiro.

    Vorcaro não mantinha relações concentradas em apenas um campo político.

    Havia contatos com integrantes do governo Lula, figuras próximas de Jair Bolsonaro, dirigentes do Centrão e personagens ligados a administrações anteriores.

    Além disso, contratos comerciais alcançaram ex-presidentes, ex-ministros, dirigentes partidários e empresas de pessoas próximas a parlamentares.

    Em alguns casos, a relação conhecida se limitou a reuniões ou contratos profissionais. Em outros, apareceram viagens, hospedagens, mensagens privadas e pedidos de ajuda.

    Há ainda relações que se tornaram objeto direto de investigação policial.

    Por isso, é importante fazer uma distinção: ser citado nos documentos, conhecer Vorcaro ou ter mantido uma relação comercial com o Banco Master não significa participação nas irregularidades investigadas.

    Entretanto, as revelações mostram algo que ajuda a entender o tamanho político do escândalo.

    Antes de o Banco Master entrar em colapso, Daniel Vorcaro havia construído uma ampla rede de relacionamentos capaz de atravessar partidos, governos e diferentes centros de poder em Brasília.

    E, à medida que novas mensagens e documentos são revelados, o verdadeiro alcance dessa rede continua sendo conhecido.

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