Candidata à reeleição em Pernambuco, Raquel Lyra recebe R$ 60 mil e vira alvo de cobrança milionária no STF
Sindicato pede devolução de cerca de R$ 1,2 milhão; candidata à reeleição afirma que remuneração segue a legislação
A remuneração de Raquel Lyra entrou na disputa eleitoral em Pernambuco após o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe) acionar o Supremo Tribunal Federal.
A entidade questiona os mais de R$ 60 mil brutos recebidos pela governadora e pede a devolução de aproximadamente R$ 1,2 milhão.
Além disso, o sindicato quer que Raquel deixe de receber como procuradora e passe a ganhar o subsídio de governadora, de R$ 22 mil.
Segundo o Satenpe, o valor cobrado corresponde à diferença entre as duas remunerações.
Cobrança no STF
O sindicato acionou o STF na segunda-feira (14) para questionar a remuneração de Raquel Lyra.
Além da devolução dos valores, a entidade contesta a possibilidade de a governadora continuar recebendo como procuradora enquanto ocupa o cargo.
A opção salarial tem respaldo na Lei Estadual nº 18.139/2023, proposta no início da gestão de Raquel.
No entanto, o Satenpe contesta a constitucionalidade dessa possibilidade para quem exerce o governo estadual.
Assim, o caso reúne dois pedidos: a interrupção dos pagamentos e a devolução da diferença acumulada.
A solicitação do sindicato, porém, não representa uma decisão judicial contra Raquel Lyra.
Raquel nega irregularidade
Na terça-feira (15), Raquel respondeu às cobranças sobre seus vencimentos durante entrevista à TV Globo.
Questionada sobre os R$ 60.931 brutos, a candidata defendeu a escolha pelo salário de procuradora e negou receber duas remunerações ao mesmo tempo.
“Eu sempre fiz tudo de acordo com a lei”, afirmou.
Além disso, Raquel rejeitou a interpretação de que a legislação tenha sido criada para beneficiá-la.
Segundo ela, adversários tentam transformar a remuneração de Raquel Lyra em um dos principais assuntos da eleição.
Nova cobrança
Ainda na terça-feira, o Sindifisco-PE também entrou no debate sobre os vencimentos da governadora.
A entidade cobrou coerência do governo diante da disputa judicial sobre o teto remuneratório dos servidores estaduais.
Com isso, a discussão sobre o salário de Raquel passou a reunir questionamentos de diferentes entidades.
Disputa eleitoral
Enquanto a remuneração de Raquel Lyra gera cobranças, João Campos (PSB) reduziu numericamente a diferença para a governadora na corrida estadual.
No Datafolha divulgado em 11 de setembro, Raquel manteve 47%.
Já João Campos passou de 40% para 42%.
Assim, a diferença caiu de sete para cinco pontos.
No entanto, a oscilação ocorreu dentro da margem de erro. Portanto, os números não confirmam uma tendência de recuperação.
Além disso, o levantamento não permite relacionar a movimentação eleitoral à controvérsia sobre os vencimentos da governadora.
Dados da pesquisa
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores em 48 municípios entre 8 e 10 de setembro.
A pesquisa teve encomenda da Folha e da TV Globo.
A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no TSE sob o número PE-04411/2026.