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    Voto útil ganha espaço na reta final das eleições; entenda como funciona

    Concentração da disputa entre os primeiros colocados pode levar eleitores de candidaturas menores a rever a escolha antes do primeiro turno

    Com a aproximação do primeiro turno, o voto útil nas eleições 2026 voltou a ganhar espaço nas campanhas, nas redes sociais e no debate eleitoral.

    A estratégia ocorre quando o eleitor deixa sua primeira opção para apoiar outro candidato que considera mais competitivo. Em geral, esse movimento aparece quando a disputa começa a se concentrar em poucos nomes.

    Além disso, cientistas políticos também utilizam a expressão “voto estratégico”. Nesse caso, o eleitor considera não apenas sua preferência, mas também o resultado que pretende favorecer ou evitar.

    Como funciona

    Imagine uma eleição com quatro candidatos.

    O eleitor prefere o candidato C. Entretanto, as pesquisas mostram uma disputa concentrada entre A e B, enquanto esse mesmo eleitor rejeita fortemente A.

    Na reta final, portanto, ele pode abandonar C e votar em B para tentar impedir uma vitória de A.

    Essa mudança caracteriza o chamado voto útil ou estratégico.

    Na urna, porém, não existe uma categoria chamada “voto útil”. O eleitor simplesmente vota normalmente no candidato escolhido.

    Assim, a expressão descreve a motivação da escolha e não um tipo diferente de voto.

    Peso no primeiro turno

    A regra da eleição presidencial ajuda a explicar por que o movimento ganha atenção.

    Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Brancos e nulos não entram nesse cálculo.

    Caso ninguém alcance essa maioria, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno.

    Por isso, uma eventual migração de alguns pontos percentuais das candidaturas menores pode alterar a distribuição dos votos válidos.

    É justamente nesse período que campanhas competitivas costumam intensificar o discurso direcionado a eleitores que, inicialmente, escolheram outros nomes.

    Disputa em 2026

    O voto útil nas eleições 2026 entrou no debate da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

    Na reta final, as duas campanhas passaram a buscar eleitores que declaravam intenção de voto em outros candidatos.

    Levantamento Quaest divulgado nesta semana mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 33%.

    Enquanto isso, Augusto Cury apareceu com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%.

    Quaest

    • Lula (PT): 37%
    • Flávio Bolsonaro (PL): 33%
    • Augusto Cury (Avante): 6%
    • Ronaldo Caiado (PSD): 4%
    • Renan Santos (Missão): 3%
    • Romeu Zema (Novo): 1%

    A concentração dos dois primeiros colocados aumenta a atenção sobre o comportamento dos eleitores das demais candidaturas.

    No campo de Flávio Bolsonaro, a estratégia mira principalmente eleitores de direita e centro-direita que avaliam votar em Caiado, Zema, Cury ou Renan Santos.

    Já a campanha de Lula também busca ampliar sua votação na tentativa de alcançar a maioria necessária ainda no primeiro turno.

    O precedente de 2022

    O fenômeno não surgiu nesta eleição.

    Em 2022, Lula e Jair Bolsonaro concentraram a disputa presidencial, enquanto Ciro Gomes e Simone Tebet apareciam atrás nas pesquisas.

    Na reta final, cresceu a discussão sobre uma possível migração de eleitores de Ciro e Tebet para Lula em uma tentativa de definir a eleição no primeiro turno.

    Três dias antes da votação, o Datafolha apontava Lula com 50% dos votos válidos. Bolsonaro tinha 36%, Ciro registrava 6% e Tebet aparecia com 5%.

    Naquele momento, o levantamento identificava disposição de parte dos eleitores das candidaturas menores para mudar o voto. Contudo, não registrava uma onda consolidada de migração.

    No resultado do primeiro turno, Lula terminou com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 43,20%.

    Assim, a eleição seguiu para o segundo turno.

    Pesquisas e estratégia

    As pesquisas eleitorais ajudam a formar a percepção sobre quais candidatos aparecem em posições mais competitivas.

    Nesse contexto, o eleitor pode comparar sua preferência inicial com o cenário apresentado pelos levantamentos.

    Estudo publicado na revista Opinião Pública descreve o voto útil brasileiro como uma forma de voto estratégico.

    Entretanto, nem toda mudança registrada nas pesquisas representa voto útil nas eleições 2026.

    Oscilações também podem ocorrer por causa de debates, campanha eleitoral, acontecimentos políticos, rejeição, indecisão ou margem de erro.

    Voto útil é permitido?

    Sim. O eleitor pode mudar sua escolha até o momento em que confirma o voto na urna.

    Além disso, nenhuma regra obriga uma pessoa a manter a intenção de voto que declarou anteriormente em pesquisa, rede social ou conversa.

    Também não existe transferência automática de votos entre candidatos.

    Portanto, cada voto corresponde exclusivamente à escolha feita pelo eleitor na urna.

    Reta final

    Nas últimas pesquisas antes do primeiro turno, um dos pontos observados será o comportamento das candidaturas menores.

    Uma eventual redução nesses percentuais, acompanhada pelo crescimento dos primeiros colocados, pode indicar migração de eleitores. Ainda assim, o movimento precisa ser analisado junto a outros fatores da campanha.

    As próximas rodadas poderão mostrar se os eleitores de Cury, Caiado, Renan Santos, Zema e dos demais candidatos mantêm suas escolhas ou mudam o voto na reta final.

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