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    Nossa Senhora Aparecida: entenda o post que virou disputa política e chegou à Justiça Eleitoral

    Projeto de 2007 foi arquivado no ano seguinte, mas voltou ao debate após publicações nas redes, decisões judiciais e manifestações de Flávio Bolsonaro e da CNBB

    A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na disputa presidencial de 2026 depois que publicações nas redes sociais associaram Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

    De acordo com os registros apresentados no material, porém, o projeto citado não tem autoria de Flávio. O então deputado federal Professor Victório Galli apresentou a proposta em 2007, quando estava filiado ao PMDB de Mato Grosso.

    Além disso, o Projeto de Lei 2.623/2007 não está em tramitação. A Câmara dos Deputados rejeitou e arquivou definitivamente a matéria em agosto de 2008.

    Mesmo assim, quase duas décadas depois, o tema voltou às redes sociais e passou a integrar diretamente a campanha presidencial.

    O que dizia o projeto

    A proposta apresentada em 2007 pretendia modificar a Lei nº 6.802, de 1980.

    O texto substituiria a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

    Por outro lado, o projeto manteria o feriado nacional de 12 de outubro.

    Na justificativa, Victório Galli argumentava que a mudança buscava adequar a legislação ao caráter laico do Estado brasileiro.

    Entretanto, a proposta não avançou. A Câmara arquivou o projeto no ano seguinte.

    Portanto, segundo as informações apresentadas, não existe atualmente no Congresso uma proposta de Flávio Bolsonaro com esse objetivo.

    Tema ganha as redes

    A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou dimensão nacional na quinta-feira (24).

    Naquele momento, conteúdos que vinculavam Flávio Bolsonaro ao projeto começaram a circular com intensidade nas redes sociais.

    Além disso, a discussão aumentou depois de um comentário na GloboNews. Posteriormente, o canal corrigiu a informação e esclareceu que a proposta era antiga e não tinha autoria do candidato do PL.

    Flávio também divulgou vídeos para negar qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

    Enquanto isso, adversários políticos e perfis nas redes continuaram compartilhando conteúdos relacionados ao episódio.

    Segundo levantamento da Palver citado no material e divulgado pela Folha de S.Paulo, 37% das mensagens analisadas tratavam a informação como verdadeira.

    Caso chega ao TSE

    A repercussão levou a campanha de Flávio Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral.

    Na sexta-feira (25), segundo o material, o ministro André Mendonça determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a afirmação de que Flávio pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil.

    Mendonça classificou a informação como “notoriamente inverídica”.

    Além disso, a decisão estabeleceu medidas para interromper a circulação de determinados conteúdos relacionados ao caso.

    Entre as publicações atingidas estava uma postagem do humorista Antonio Tabet.

    A campanha também pediu investigação sobre a origem e a disseminação das publicações.

    Segundo o pedido apresentado à Justiça, os conteúdos teriam ultrapassado 5 milhões de visualizações em menos de 48 horas.

    Dino muda decisão

    No domingo (27), o caso ganhou um novo capítulo.

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o restabelecimento da publicação de Antonio Tabet.

    Segundo o material, Dino considerou que o conteúdo não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro nem integrantes específicos de sua família.

    Além disso, o ministro avaliou que, naquele caso, não havia demonstração suficiente de ilicitude para justificar a restrição à liberdade de expressão.

    A decisão também alcançou outras postagens retiradas com fundamento semelhante.

    Com isso, o episódio passou a envolver não apenas a discussão sobre a veracidade das publicações, mas também os limites de decisões judiciais envolvendo manifestações políticas durante a campanha.

    CNBB entra no episódio

    A discussão ganhou outro desdobramento no domingo (27).

    Durante um ato de campanha, Flávio Bolsonaro afirmou que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil teriam participado da disseminação da informação envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

    A CNBB, por sua vez, negou participação.

    Além disso, a entidade afirmou que não possui vínculo com estruturas político-partidárias ou candidaturas.

    A Conferência também defendeu responsabilidade durante o processo eleitoral e afirmou que desinformação não deve receber como resposta novas informações falsas.

    Assim, a polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida passou a envolver campanha eleitoral, decisões judiciais e manifestações públicas da entidade religiosa.

    O que se sabe

    O Projeto de Lei 2.623 foi apresentado em 2007 por Victório Galli, e não por Flávio Bolsonaro.

    Além disso, o texto acabou arquivado em 22 de agosto de 2008.

    A proposta pretendia alterar a forma como Nossa Senhora Aparecida aparecia na legislação federal, mantendo o feriado de 12 de outubro.

    Flávio Bolsonaro nega defender qualquer mudança no título de Padroeira do Brasil.

    Desde então, a circulação das publicações provocou reação da campanha, decisões no TSE e no STF e manifestações públicas da CNBB.

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