Lula tenta virada inédita em 37 anos após Flávio vencer 1º turno por 1,87 ponto
Desde 1989, todos os candidatos que lideraram o primeiro turno venceram a eleição presidencial; disputa de 2026 registra a menor diferença da história entre os dois primeiros colocados
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 coloca à prova uma sequência histórica que começou há 37 anos. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter o resultado e conquistar a Presidência da República. Nas sete disputas decididas em segundo turno desde 1989, o líder da primeira votação sempre venceu. Neste ano, porém, a diferença entre os candidatos é a menor já registrada. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 45,16%. A vantagem foi de apenas 1,87 ponto percentual.
O histórico reúne as vitórias de Fernando Collor em 1989, Lula em 2002 e 2006, Dilma Rousseff em 2010 e 2014, Jair Bolsonaro em 2018 e Lula novamente em 2022. Em todos esses casos, o candidato mais votado no primeiro turno confirmou a liderança na votação seguinte. Até então, a menor diferença havia ocorrido em 2022, quando Lula terminou a primeira etapa 5,23 pontos percentuais à frente de Jair Bolsonaro. Em 2002, por outro lado, a vantagem de Lula sobre José Serra chegou a 23,24 pontos. Assim, os 1,87 ponto de 2026 representam uma distância quase três vezes menor que a registrada há quatro anos.

Apesar desse histórico, os números mostram que o segundo colocado costuma ampliar sua votação proporcionalmente mais do que o primeiro. Isso ocorreu em seis das sete eleições presidenciais com segundo turno. Em 1989, por exemplo, Lula passou de 17,19% para 46,97% dos votos válidos, mas perdeu para Collor. A única exceção aconteceu em 2006, quando Geraldo Alckmin caiu de 41,64% para 39,17%. Já em 2022, Jair Bolsonaro avançou de 43,20% para 49,10%, enquanto Lula passou de 48,43% para 50,90%, garantindo a vitória por aproximadamente 1,8 ponto percentual.
Nas eleições estaduais, entretanto, as viradas são mais frequentes. Em 2022, quatro dos 12 governadores eleitos no segundo turno haviam terminado a primeira votação atrás dos adversários. Entre eles estavam Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, em Pernambuco. Em 2026, duas disputas estaduais também apresentam diferenças inferiores a dois pontos percentuais. No Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra terminou 0,78 ponto à frente de Cadu de Lula. No Tocantins, Professora Dorinha superou Vicentinho Júnior por 1,58 ponto. Tanto a eleição presidencial quanto os segundos turnos estaduais estão marcados para 25 de outubro.