Quem é Márcio Canella, aliado de Flávio preso pela PF
Presidente do União Brasil no Rio, Canella rompeu com antigos aliados, aproximou-se da família Bolsonaro e conquistou a segunda maior votação para deputado estadual em 2026.
O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), de 49 anos, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15). A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.
Aliado do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Canella construiu sua trajetória política com apoio de diferentes grupos. Além disso, preside o União Brasil no Rio de Janeiro e mantém influência eleitoral na Baixada Fluminense.
A prisão ocorreu 11 dias depois das eleições de 2026. Com 197.178 votos, Canella conquistou a segunda maior votação para deputado estadual no Rio. Apesar das investigações, a Justiça Eleitoral havia autorizado sua candidatura.
Trajetória política
Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, nasceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Iniciou sua carreira eleitoral em 2012, quando conquistou uma vaga de vereador em Belford Roxo. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual.
Em 2016, integrou a chapa de Waguinho, eleito prefeito de Belford Roxo. Na ocasião, Canella assumiu a vice-prefeitura e ampliou sua participação nas decisões políticas do município.
Entretanto, a aliança começou a se desfazer após as eleições presidenciais de 2022. Enquanto Waguinho apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Canella se aproximou do grupo político de Jair Bolsonaro (PL).
Com o rompimento, os antigos aliados passaram a disputar o controle político de Belford Roxo. Em 2024, Canella venceu a eleição para prefeito com 62,88% dos votos válidos. Seu principal adversário foi Matheus do Waguinho, sobrinho do então prefeito.
Alianças com Bolsonaro
A aproximação com a família Bolsonaro ampliou a presença de Márcio Canella nas articulações estaduais. Em 2026, Flávio Bolsonaro chegou a apoiar seu nome para disputar uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Para participar da eleição, Canella renunciou à Prefeitura de Belford Roxo em abril. No entanto, após uma operação da Polícia Federal em julho, desistiu da candidatura ao Senado. Posteriormente, decidiu concorrer à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O político também manteve alianças com Douglas Ruas (PL), eleito governador do Rio após a retotalização dos votos do primeiro turno. Os dois participaram de articulações políticas ligadas ao grupo de Flávio Bolsonaro. Entretanto, as investigações envolvendo Canella provocaram um distanciamento público entre os aliados.
Outra ligação importante envolve Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Em agosto, os dois participaram de um evento político em Belford Roxo. Além disso, Rueda disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Canella concorreu à Alerj.
Canella também integra o mesmo partido de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj. Bacellar foi alvo de fases anteriores da Operação Unha e Carne, em investigação sobre suspeitas de vazamento de informações policiais.
Investigação da PF
A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo a Polícia Federal, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Além de Canella, os agentes prenderam Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. O delegado possui ligação política com o ex-prefeito, que já o homenageou com a Medalha Tiradentes, concedida pela Alerj.
Em julho, Canella havia sido preso em flagrante durante outra fase da operação. Na ocasião, policiais federais encontraram um fuzil de uso restrito em seu veículo. Posteriormente, ele conseguiu liberdade provisória.
Além disso, a PF e o Ministério Público investigam suspeitas de ligações entre Canella e integrantes de milícias. As apurações também envolvem nomeações de pessoas condenadas por participação em grupos paramilitares para cargos na administração municipal.
Canella nega envolvimento com organizações criminosas. Por sua vez, a defesa de Antônio Rueda sustenta que manifestações eleitorais de terceiros não comprovam participação ou autorização do dirigente partidário.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação desta quinta-feira. Ao todo, a PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios fluminenses.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas. Desse total, 96 são postos de combustíveis suspeitos de integrar o esquema.
As investigações envolvem suspeitas de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. A ligação política de Canella com Flávio Bolsonaro não significa participação do candidato presidencial nos crimes investigados.