Entre o sofá e a urna: a dúvida que pode decidir a eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro
Com pesquisas apontando empate técnico, o Brasil chega à reta final de uma disputa marcada pelo antipetismo, pelo peso do legado de Lula e pela dúvida sobre quem conseguirá mobilizar seus eleitores no dia 25 de outubro.
A nove dias do segundo turno, nem mesmo os especialistas parecem dispostos a apostar em um vencedor. Em um encontro que reuniu cientistas políticos e empresários nesta sexta-feira (16), o sentimento relatado foi de absoluta indefinição. O cenário encontra respaldo nas pesquisas mais recentes. O Datafolha aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT). Já o PoderData/Aya registra empate de 50% a 50%, enquanto a CNT/MDA mostra 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula. Todos os resultados configuram empate técnico. Nesse contexto, mais do que uma disputa entre dois candidatos, a eleição se aproxima de uma espécie de plebiscito sobre a continuidade do governo e o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
O peso do antipetismo
Para Lula, a questão central ultrapassa os números. Depois de décadas como protagonista da política nacional, o presidente enfrenta um eleitorado dividido entre o reconhecimento de seu legado e o desejo de mudança. Nos bastidores, uma das hipóteses discutidas é a existência de um antipetismo de última hora, capaz de influenciar a decisão de eleitores ainda hesitantes. Diante da urna, a pergunta poderia ser menos sobre Flávio Bolsonaro e mais sobre o próprio presidente: Lula merece mais uma chance? Por outro lado, o problema também existe no campo adversário. Flávio precisa lidar com a rejeição ao bolsonarismo e convencer eleitores que resistem ao retorno desse grupo político ao poder. Além disso, o Datafolha mostra rejeição de 46% a Lula e 44% a Flávio, diferença dentro da margem de erro.
O efeito da escala 6×1
A aprovação do fim da escala 6×1 acrescentou um elemento importante a essa equação. A medida, promulgada nesta sexta-feira (16), permite ao governo Lula apresentar uma conquista concreta para milhões de trabalhadores justamente na reta final da campanha. Além disso, a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso semanal fortalecem um discurso associado à proteção social. Politicamente, a iniciativa pode contribuir para a aproximação observada nas pesquisas, embora ainda não seja possível medir quanto dessa mudança decorre diretamente da proposta. O desafio do presidente, entretanto, permanece: transformar o reconhecimento por medidas de governo em votos efetivos. Do outro lado, Flávio aposta na insatisfação com a administração petista e no sentimento de mudança para ampliar sua votação.
A decisão na urna
É nesse ponto que surge uma das maiores incógnitas da eleição de 2026. O eleitor que hoje declara apoio a Lula terá disposição para sair de casa no domingo e votar? E o eleitor contrário ao PT estará igualmente mobilizado? Em uma disputa tão equilibrada, abstenções, votos brancos, nulos e mudanças de última hora podem adquirir importância decisiva. Afinal, as pesquisas registram intenções, mas o resultado dependerá de quem efetivamente comparecer às urnas. No dia 25 de outubro, o Brasil não escolherá apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Também decidirá, pelo voto, qual peso atribuir ao passado, ao presente e às expectativas para os próximos quatro anos. E talvez a maior dúvida desta eleição não esteja em quem lidera as pesquisas, mas em quem estará diante da urna quando chegar a hora de decidir. Os levantamentos citados estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-00466/2026 (Datafolha), BR-04258/2026 (PoderData/Aya) e BR-00652/2026 (CNT/MDA).