Fux defende proibição das bets no Brasil e rebate críticas sobre audiência no STF
Ministro considera apostas online um problema de saúde pública e afirma que ouviu diferentes setores antes de defender o banimento.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (3) a proibição das bets no Brasil e afirmou que as apostas online representam um problema de saúde pública. Durante uma audiência sobre o tema, o magistrado também rebateu críticas à escolha dos participantes do debate. Além disso, declarou que formou sua opinião favorável ao banimento após ouvir especialistas e representantes de diferentes setores da sociedade.
Segundo Fux, a percepção sobre os riscos das apostas surgiu durante uma audiência pública realizada em novembro de 2024. Na ocasião, profissionais da saúde e entidades de defesa do consumidor apresentaram relatos sobre os impactos da atividade. Entre as principais preocupações estavam o crescimento da dependência em jogos de azar e as consequências para os apostadores.
Críticas à audiência
A audiência desta terça-feira provocou questionamentos sobre a participação de empresas de apostas e clubes de futebol contrários à proibição. Entretanto, Fux negou que tenha privilegiado os interesses do setor.
O ministro explicou que já havia ouvido entidades favoráveis ao banimento no encontro anterior. Por isso, considerou necessário abrir espaço para outros argumentos, especialmente os relacionados à segurança jurídica.
Dessa forma, o magistrado afirmou que a discussão precisa considerar diferentes perspectivas antes de uma decisão definitiva. Apesar disso, reiterou sua posição favorável à proibição das bets no Brasil, diante dos problemas apontados durante os debates.
Oito ações no STF
Atualmente, Luiz Fux é relator de oito ações que discutem questões constitucionais relacionadas às apostas online. Entre elas, duas contestam uma medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro, para proibir a atividade no país.
Empresas do setor recorreram ao Supremo para tentar suspender a medida. Além disso, a discussão envolve os limites da regulamentação das plataformas e os efeitos de uma eventual proibição.
O julgamento começou em agosto. Entretanto, o ministro Flávio Dino pediu mais tempo para analisar o processo, interrompendo a análise naquela etapa.
Debate sobre apostas
A proibição das bets no Brasil envolve discussões sobre saúde pública, proteção dos consumidores e segurança jurídica. Enquanto representantes do setor defendem argumentos contrários ao banimento, entidades ligadas à saúde apontam os riscos da dependência e seus impactos sociais.
Durante a audiência desta terça-feira, Fux voltou a defender a importância de considerar os efeitos das apostas sobre a população. Além disso, destacou que as manifestações apresentadas anteriormente contribuíram para sua avaliação do tema.
A audiência reuniu representantes do governo, de empresas de apostas e de outras entidades. O Supremo Tribunal Federal ainda não concluiu o julgamento sobre a proibição das plataformas.