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    Tailândia bombardeia Camboja e crise na fronteira degenera em ruptura diplomática

    Troca de acusações, mortes de civis e retirada de embaixadores elevam tensão entre vizinhos do Sudeste Asiático

    A crise entre Tailândia e Camboja atingiu um novo nível de gravidade nesta quinta-feira (23), quando o exército tailandês lançou ataques aéreos contra alvos militares cambojanos. A ofensiva ocorreu após trocas de tiros ao longo da fronteira, que já deixaram nove civis mortos e pelo menos 14 feridos desde quarta-feira.

    Ambos os países se acusam de iniciar o confronto. A Tailândia afirmou que o Camboja atacou instalações civis e militares, incluindo um hospital e uma zona residencial. Por outro lado, o governo cambojano denunciou bombardeios tailandeses próximos ao templo histórico de Preah Vihear, classificado como Patrimônio Mundial da Unesco.


    Confrontos atingem regiões próximas a templos antigos

    Os combates começaram na manhã de quinta-feira, perto do templo de Ta Muen Thom, localizado entre a província tailandesa de Surin e a província cambojana de Oddar Meanchey. Em seguida, os ataques se espalharam para pelo menos seis pontos ao longo da fronteira.

    Enquanto isso, explosões atingiram áreas próximas a estradas civis e centros urbanos. Vídeos transmitidos do lado tailandês mostraram moradores em fuga, se abrigando em bunkers de concreto, enquanto os estrondos se intensificavam.


    Civis mortos e feridos aumentam tensão

    Segundo o exército tailandês, seis civis morreram na província de Si Sa Ket, após disparos atingirem uma estação de serviço. Outras 14 pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança de 5 anos. De acordo com o porta-voz militar Surasant Kongsiri, o Camboja disparou contra áreas residenciais, provocando os danos.

    Além disso, o Ministério das Relações Exteriores da Tailândia relatou ataques cambojanos contra alvos civis e militares. Por isso, o governo classificou os episódios como graves violações de soberania.


    Diplomacia entra em colapso

    Na quarta-feira, a Tailândia retirou seu embaixador e expulsou o embaixador cambojano, em protesto contra a explosão de uma mina terrestre que feriu cinco soldados tailandeses. No dia seguinte, o Camboja respondeu na mesma moeda: expulsou o embaixador tailandês e evacuou sua embaixada em Bangcoc, reduzindo as relações diplomáticas ao nível mais baixo.

    O porta-voz tailandês Nikorndej Balankura exigiu que o Camboja se responsabilize pelos ataques. “Se o Camboja persistir em violar a soberania da Tailândia, responderemos com medidas de autodefesa, conforme o direito internacional”, afirmou.


    Camboja diz que foi forçado a reagir

    O primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, declarou que o país tentou resolver o impasse por meios pacíficos. No entanto, diante da ofensiva tailandesa, ele afirmou que “não há outra alternativa senão responder com força armada à agressão”.

    A declaração marca o rompimento definitivo das tentativas de diálogo, ao menos por ora.


    Escalada histórica

    As tensões entre os dois países se intensificam desde maio, quando um soldado cambojano morreu em confronto. Desde então, as paixões nacionalistas aumentaram e os confrontos se tornaram mais frequentes. Agora, com ataques aéreos, ruptura diplomática e civis mortos, a fronteira vive seu momento mais delicado em mais de uma década.

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