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    China reage à estatização da British Steel no Reino Unido

    Pequim cobra compensação após governo britânico assumir siderúrgica controlada por grupo chinês; caso amplia tensão sobre investimentos e segurança industrial.

    A China afirmou neste sábado (18) que poderá adotar medidas após o Reino Unido estatizar a British Steel. A empresa pertencia ao grupo siderúrgico chinês Jingye.

    O governo britânico assumiu integralmente a companhia na quinta-feira (16). Segundo Londres, a operação preserva empregos, mantém a produção nacional de aço e reduz a dependência externa.

    Pequim, entretanto, criticou a intervenção e cobrou uma solução que inclua compensação ao antigo controlador. Além disso, alertou para os efeitos sobre investimentos chineses no Reino Unido.

    Dessa forma, uma crise industrial ganhou dimensão econômica e diplomática. Agora, os dois governos precisarão negociar o destino dos ativos e os valores reivindicados pela Jingye.

    Controle passa ao Estado

    Uma nova legislação autorizou Londres a incorporar a British Steel ao patrimônio público. O governo argumentou que não encontrou um comprador capaz de manter as operações.

    A companhia administra a usina de Scunthorpe, no norte da Inglaterra. Atualmente, o complexo emprega aproximadamente 2,7 mil trabalhadores e sustenta outros postos na cadeia de fornecedores.

    Além disso, a unidade possui os últimos altos-fornos britânicos capazes de produzir aço primário a partir de matérias-primas. Por isso, Londres considera a atividade estratégica para infraestrutura, ferrovias e defesa.

    O Estado já controlava as operações desde abril de 2025. Naquele momento, as autoridades assumiram a gestão para impedir o fechamento dos fornos.

    Desde então, o Tesouro britânico destinou cerca de 640 milhões de libras à manutenção da empresa, segundo a Reuters. Enquanto isso, o custo operacional superou 1 milhão de libras por dia.

    Com a estatização, Londres pretende estabilizar a produção e elaborar um plano de longo prazo. Contudo, a empresa ainda enfrenta energia cara, concorrência externa e excesso de oferta mundial.

    China cobra compensação

    O Ministério das Relações Exteriores chinês informou que acompanhará o caso e defenderá os interesses considerados legítimos das empresas do país.

    Segundo Pequim, o tratamento dado à Jingye influenciará a confiança dos investidores no mercado britânico. Portanto, o governo chinês pediu uma solução aceita pelas duas partes.

    Na sexta-feira (17), o Ministério do Comércio já havia criticado a tomada de controle. O órgão afirmou que a medida prejudicou os direitos da empresa chinesa.

    A Jingye comprou a British Steel em 2020. Desde então, o grupo afirma ter investido mais de 1,2 bilhão de libras na siderúrgica.

    Agora, a companhia exige uma compensação rápida e adequada. Por sua vez, o governo britânico informou que uma avaliação independente ajudará a calcular um eventual pagamento.

    Entretanto, as partes ainda não divulgaram uma estimativa oficial. Assim, o valor poderá se transformar no principal ponto de divergência entre Londres e Pequim.

    Segurança industrial

    A medida acompanha uma preocupação crescente com cadeias produtivas estratégicas. Países europeus e os Estados Unidos ampliaram políticas para proteger setores considerados essenciais.

    No caso da British Steel, Londres argumenta que perder a fabricação de aço primário aumentaria a dependência estrangeira. Além disso, a mudança poderia afetar projetos de infraestrutura e defesa.

    Por outro lado, a China afirma que intervenções dessa natureza prejudicam acordos de proteção a investimentos. Pequim também teme medidas semelhantes contra outras empresas chinesas.

    O Reino Unido ainda não anunciou se manterá a siderúrgica permanentemente sob controle público. Portanto, uma futura venda poderá ocorrer após a estabilização financeira e a modernização das instalações.

    Reflexos no Brasil

    A disputa também interessa à indústria siderúrgica brasileira. Afinal, o Brasil permaneceu entre os dez maiores produtores mundiais de aço em 2025.

    Além disso, o Ministério do Desenvolvimento já apontou o excesso de capacidade global e a expansão das barreiras comerciais como desafios para as empresas nacionais.

    A proteção britânica não muda diretamente as regras brasileiras. Contudo, reforça uma tendência de maior intervenção estatal em setores estratégicos.

    Consequentemente, novas tarifas, cotas ou subsídios podem alterar preços e direcionar excedentes de aço para outros mercados. Esse movimento, por sua vez, amplia a concorrência enfrentada pelas siderúrgicas brasileiras.

    Agora, o avanço do caso dependerá da negociação sobre a compensação e da resposta chinesa. Além disso, o resultado mostrará até onde governos europeus pretendem proteger suas indústrias essenciais.

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