Ajuda em Gaza: Israel fala em 120 caminhões, Hamas diz que foram 73 e denuncia saques
Israel afirma que ajuda humanitária foi entregue pela ONU, mas grupo palestino acusa bloqueio, desvios e ação deliberada para impedir distribuição
Ajuda humanitária sob questionamento
Israel informou, nesta segunda-feira (28), que 120 caminhões com mantimentos entraram na Faixa de Gaza no domingo (27). Segundo o Cogat, órgão ligado ao Ministério da Defesa israelense, os alimentos foram entregues pela ONU e por entidades internacionais.
No entanto, o Hamas contestou a informação. O grupo afirmou que apenas 73 caminhões cruzaram a fronteira e acusou forças israelenses de permitirem o saque da maior parte dos suprimentos. De acordo com o Hamas, drones sobrevoavam a área durante os desvios de carga, o que indicaria uma tentativa deliberada de impedir a distribuição aos civis.
Além disso, o grupo denunciou que os lançamentos aéreos realizados no fim de semana equivalem, no máximo, ao conteúdo de dois caminhões. Segundo o Hamas, esses pacotes caíram em regiões de combate, o que os tornaria inacessíveis para a população.
Israel anuncia trégua diária parcial
Diante das críticas internacionais, o Exército de Israel declarou que fará pausas diárias nos combates em determinados pontos da Faixa de Gaza. A suspensão das operações ocorrerá das 10h às 20h, em áreas como Al-Mawasi, Deir al-Balah e partes da cidade de Gaza. Além disso, corredores seguros funcionarão das 6h às 23h para facilitar deslocamentos.
Segundo o governo de Benjamin Netanyahu, a iniciativa responde às acusações de que Israel estaria provocando fome como método de guerra.
ONU alerta para crise alimentar grave
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou nesta segunda-feira que “a fome nunca deve ser usada como arma de guerra”. Ele destacou os conflitos em Gaza e no Sudão durante uma conferência sobre segurança alimentar. Para Guterres, a escassez de comida gera instabilidade e compromete as chances de paz.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou o alerta. Desde o início do ano, 74 pessoas morreram em Gaza por desnutrição. Somente em julho, ocorreram 63 óbitos, incluindo 24 crianças com menos de cinco anos.
Conferência internacional discute dois Estados
A sede da ONU, em Nova York, sedia nesta semana uma conferência internacional sobre a criação de um Estado palestino. O evento, organizado por França e Arábia Saudita, busca construir um plano viável para a convivência entre dois Estados com fronteiras reconhecidas.
A França pretende usar o encontro para pressionar por novos reconhecimentos da Palestina até setembro. No entanto, Israel e os Estados Unidos não participam da conferência. Para Washington, o evento representa um “presente ao Hamas”. Já o governo israelense critica a falta de exigências pela libertação dos reféns e pela condenação ao grupo extremista.
Guerra e impasse diplomático
O conflito atual começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou 250 civis. Desde então, a ofensiva militar israelense resultou em quase 60 mil mortes na Faixa de Gaza, segundo autoridades locais.
A criação de dois Estados é defendida pela ONU há décadas. Em maio deste ano, 143 países votaram pela entrada plena da Palestina na organização. No entanto, os Estados Unidos vetaram a proposta no Conselho de Segurança.