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    Corina ataca Delcy após ser descartada por Trump

    Líder da ala mais radical da oposição critica governo interino, exalta Trump e reacende divisão interna no pós-Maduro

    A líder oposicionista María Corina Machado intensificou o discurso contra o governo interino da Venezuela após ser descartada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como opção para assumir o poder no país. Em entrevistas concedidas após o sequestro do presidente Nicolás Maduro, Corina atacou a presidente interina Delcy Rodríguez, exaltou Trump e prometeu retornar à Venezuela “o mais breve possível”.

    Enquanto isso, setores da oposição considerados moderados passaram a defender diálogo com o governo interino. O objetivo, segundo essas lideranças, é obter avanços políticos concretos, como a libertação de presos classificados como políticos.


    Críticas diretas ao governo interino

    Identificada como principal nome da ala mais radical da oposição, Corina Machado acusou Delcy Rodríguez de atuar como uma das principais responsáveis pela repressão estatal. Além disso, afirmou que a presidente interina mantém vínculos estratégicos com Rússia, China e Irã.

    Em entrevista à Fox News, Corina declarou que Delcy não oferece segurança a investidores internacionais. Segundo ela, o atual governo interino não reúne condições políticas nem institucionais para conduzir a Venezuela em um cenário de transição.


    Exaltação a Trump e discurso de ruptura

    Durante a entrevista, Corina agradeceu publicamente Trump e afirmou que o dia 3 de janeiro entrará para a história como o momento em que “a Justiça derrotou a tirania”. Para a oposicionista, o sequestro de Maduro aproximou os venezuelanos da liberdade.

    Ainda assim, Trump descartou que Corina possa assumir o comando do país. Ao comentar o tema, o presidente norte-americano afirmou que ela não possui apoio interno suficiente nem respeito político para liderar a Venezuela.


    Eleições contestadas e disputa narrativa

    Proibida de disputar as eleições presidenciais de 2024, após condenação por corrupção quando exercia mandato parlamentar, Corina indicou o diplomata Edmundo González como candidato da oposição. Segundo os dados oficiais, ele perdeu o pleito para Maduro.

    No entanto, como o Conselho Nacional Eleitoral não divulgou os dados detalhados por urna, observadores internacionais e diversos países deixaram de reconhecer o resultado. A oposição sustenta que González venceu a eleição.

    Do exterior, o ex-candidato voltou a se declarar presidente legítimo e pediu apoio das Forças Armadas. Mesmo assim, os militares venezuelanos não o reconhecem como chefe de Estado.


    Oposição segue dividida

    Especialistas avaliam que a oposição venezuelana permanece fragmentada. O professor Rodolfo Magallanes, da Universidade Central da Venezuela, afirmou que há dois caminhos distintos: um setor radical, alinhado a Corina, e outro moderado, que defende atuação institucional e diálogo.

    Segundo ele, não há comunicação entre os dois grupos. Enquanto isso, parlamentares da ala moderada defendem a reconstrução democrática por meio da Assembleia Nacional e rejeitam ações violentas ou intervenções externas.


    Capriles defende transição ordenada

    Eleito deputado federal, Henrique Capriles criticou a decisão de Corina de boicotar eleições legislativas e defendeu uma transição política sem rupturas. Para ele, o caos não conduz à mudança e apenas aprofunda o sofrimento da população.

    Capriles pediu libertação de presos políticos e defendeu garantias reais para todos os atores envolvidos no processo de reconstrução institucional da Venezuela.

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