Parlamento derruba José Jerí e país terá 9º presidente em uma década
A cadeira presidencial do Palácio de Pizarro continua como o assento mais instável da América Latina. Em uma votação tensa nesta terça-feira (17), o Parlamento do Peru aprovou a saída de José Jerí, que ocupava a presidência interina do país. Dessa forma, com 75 votos a favor e 24 contra, o Legislativo decidiu que Jerí deve deixar a chefia do Congresso e, consequentemente, o comando da nação.
A queda de Jerí marca um recorde dramático. Isso porque o Peru terá o seu nono presidente em apenas 10 anos. O país vive um ciclo de “canibalismo político” onde quase nenhum mandatário consegue completar o termo oficial.
O Efeito Dominó
A ascensão e queda de Jerí é o capítulo mais recente de uma novela de instabilidade sem fim. Para entender o cenário, veja o histórico recente:
-
Pedro Castillo: Perdeu o cargo e acabou preso após tentar um autogolpe de Estado.
-
Dina Boluarte: A ex-vice de Castillo assumiu o posto, mas o Parlamento a derrubou sob graves acusações de corrupção.
-
José Jerí: Assumiu em outubro como solução temporária, porém, perdeu o apoio parlamentar em menos de quatro meses.
A “Mágica” do Regimento
Além disso, um detalhe jurídico chamou a atenção no rito de hoje. Diferente do processo de impeachment tradicional, que exige 87 votos, os deputados usaram uma moção de censura. Como Jerí governava na qualidade de chefe do Congresso, uma maioria simples de 66 votos bastou para retirá-lo do posto.
“O Peru se tornou um laboratório de instabilidade. O Parlamento detém hoje um poder de veto que torna qualquer governo refém das bancadas”, afirmam analistas locais.
Economia Blindada?
Apesar do caos, o paradoxo peruano continua a desafiar os economistas. Mesmo com a troca frenética de comando, o país mantém uma das moedas mais fortes da região. Isso ocorre porque o Banco Central independente e a política fiscal técnica servem de “escudo” contra o barulho de Lima.
O que acontece agora?
O Parlamento deve se reunir amanhã para eleger a nova Mesa Diretora. Portanto, o parlamentar escolhido assumirá automaticamente a presidência da República. No entanto, a pergunta que fica nas ruas de Lima não é quem será o próximo, mas sim quanto tempo ele irá durar.