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    Cessar-fogo frágil sugere que EUA preparam novo ataque contra Irã

    A fragilidade do acordo de cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos (EUA) e Irã, somada à manutenção de uma grande mobilização de tropas norte-americanas no Oriente Médio, indica que a trégua pode ser apenas temporária. Na prática, o movimento sugere uma preparação do Pentágono para um novo ataque contra o Irã.

    A avaliação é de especialistas em geopolítica e questões militares ouvidos pela Agência Brasil.

    Cessar-fogo Irã levanta suspeitas de pausa estratégica

    O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, afirma que o cessar-fogo, da forma como foi estruturado, funciona como uma pausa estratégica.

    Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria ganhando tempo para reorganizar as forças.

    “Estamos vendo uma pausa operacional para possível reabastecimento de munições e das unidades da Força Aérea. Isso pode viabilizar um bombardeio massivo ou até um desembarque terrestre. Esse cessar-fogo é bastante precário”, disse.

    Cessar-fogo Irã expõe nova mobilização militar

    Além disso, Laterza destaca que a movimentação aérea dos EUA é intensa. Segundo ele, cerca de 500 aeronaves estão em operação, o que representa aproximadamente um quarto da frota militar do país.

    Ao mesmo tempo, a logística militar segue em expansão, com brigadas de artilharia mobilizadas.

    Para o especialista, esse cenário não indica desmobilização. Pelo contrário, reforça um padrão histórico dos EUA.

    “Eles costumam realizar um bombardeio massivo, gerar destruição significativa, declarar vitória e se retirar. Isso já ocorreu, por exemplo, no Vietnã do Norte, em 1972”, explicou.

    Trégua entre EUA e Irã mostra fragilidade do acordo

    Por outro lado, o cientista político Ali Ramos aponta um possível limite operacional dos EUA. Segundo ele, a capacidade de produção anual inclui cerca de 90 mísseis Tomahawk e entre 500 e 600 mísseis Patriot.

    Ainda assim, o consumo recente chama atenção.

    “Só na primeira semana foram usados 800 mísseis Patriot. Os estoques estão baixos, e esses armamentos também são distribuídos a aliados como Reino Unido, Japão e Austrália”, afirmou.

    Dessa forma, ataques iranianos têm conseguido furar, com mais frequência, os sistemas de defesa aérea.

    Cessar-fogo Irã sofre pressão com novos ataques

    Enquanto isso, o Irã intensificou as ofensivas. A centésima onda de ataques, registrada nesta quarta-feira (8), atingiu 25 alvos em Israel e outros países do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita.

    Esse movimento, segundo Laterza, reforça a fragilidade do cessar-fogo.

    Ao mesmo tempo, Ramos avalia que a trégua serve apenas como preparação para uma ofensiva maior. Ele cita, inclusive, o envio de aeronaves C-130 com novas munições para a região.

    Apesar disso, o especialista acredita que os EUA não sustentariam uma guerra prolongada.

    Pressão internacional reforça trégua entre Irã e EUA

    Além do cenário militar, há pressão diplomática. Segundo Ramos, a China tem atuado para que o Irã mantenha o cessar-fogo.

    Países do Golfo também estariam envolvidos nesse esforço.

    Nesse contexto, o Irã busca reposicionamento estratégico, tentando se apresentar como um ator mais moderado na região.

    Israel amplia risco de colapso no cessar-fogo Irã

    Por fim, a atuação de Israel surge como fator de risco para o acordo.

    Segundo Ramos, ataques recentes contra o Irã indicam uma tentativa de enfraquecer o cessar-fogo.

    Ele também menciona o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta pressões internas.

    “Existe uma questão de sobrevivência política. Netanyahu depende do contexto de guerra, inclusive por causa das acusações de corrupção”, afirmou.

    Cessar-fogo Irã corre risco de ruptura total

    Diante desse cenário, o Irã já ameaça romper o cessar-fogo. O país exige que a trégua seja respeitada em todas as frentes, especialmente após ataques envolvendo o Líbano.

    Em entrevista à PBS News, Trump afirmou que o Líbano não está incluído no acordo, citando a atuação do Hezbollah.

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