O governo federal prepara uma nova mudança na composição da gasolina vendida no país. Dessa vez, a proposta da gasolina com etanol 32% eleva a mistura obrigatória de etanol anidro. A medida deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em reunião prevista para 7 de maio.
A discussão ocorre, ao mesmo tempo, em meio à alta nas importações de gasolina. Segundo projeção da consultoria Datagro, as compras externas do combustível devem avançar mais de 170% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2025, e chegar a 309 milhões de litros. Esse movimento reflete a demanda aquecida no mercado interno e, além disso, a recomposição de estoques pelas distribuidoras.
Com a gasolina com etanol 32%, o governo busca reduzir a dependência do produto importado. Além disso, a medida amplia o uso de biocombustíveis na matriz energética. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a proposta se apoia em testes já feitos para a adoção do E30. Assim, o governo avalia que a mudança pode diminuir a necessidade de importação no curto prazo.
Enquanto isso, o mercado de etanol segue pressionado. Dados do Cepea mostram queda no preço do etanol hidratado em São Paulo nas últimas semanas de abril. A baixa ocorre, principalmente, com o avanço da safra no Centro-Sul. Além disso, distribuidoras adotaram postura mais cautelosa na reposição de estoques.
Com isso, o setor de açúcar e etanol vive um momento de atenção. De um lado, há apoio das políticas de combustíveis. Por outro, a oferta maior no início da temporada pressiona os preços e muda o ritmo das negociações no mercado.