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    Engenheiro estima que 90% das calçadas táteis de Goiás estão irregulares

    Falta de padrão na instalação pode comprometer a circulação de pessoas com deficiência visual e ampliar risco de acidentes

    O engenheiro Idalino Hortêncio estima que cerca de 90% das calçadas táteis em Goiás estão instaladas de forma irregular. A avaliação chama atenção para falhas de padronização em equipamentos urbanos usados por pessoas com deficiência visual.

    Segundo Hortêncio, a instalação inadequada do piso tátil pode gerar risco de acidentes e dificultar a circulação segura nas cidades. Para ele, o problema ocorre mesmo com a existência de normas técnicas e regras municipais que orientam a construção e a manutenção das calçadas.

    Calçadas táteis em Goiás

    A Associação Brasileira de Normas Técnicas prevê regras específicas para esse tipo de estrutura. Entre elas estão a ABNT NBR 9050 e a ABNT NBR 16537, que tratam de acessibilidade e sinalização tátil no piso.

    Essas normas indicam, por exemplo, que as calçadas devem ter linha de encaminhamento em forma de guia. Além disso, a largura mínima deve ser de 1,20 metro, com a parte tátil instalada de forma adequada para orientar o deslocamento.

    Regras em Goiânia

    Em Goiânia, a Lei Complementar nº 324 também estabelece critérios para as calçadas táteis. A legislação prevê material com luminância de 30%, cor amarela, relevos perceptíveis e peças inteiriças de 25 cm por 25 cm ou 30 cm por 30 cm.

    A norma municipal também determina que o calçamento da rede urbana tenha característica antiderrapante. No entanto, segundo o engenheiro, parte dessas exigências não aparece no dia a dia das obras.

    Risco ao pedestre

    Idalino explica que a calçada deve ter continuidade e seguir padrões de relevo. Segundo ele, a mudança do piso ajuda a indicar obstáculos, desníveis ou alterações no percurso.

    “Quando está próximo, por exemplo, de um declive na calçada, o padrão tem que mudar para pequenos círculos em relevo. É a mudança do padrão de relevo que avisa que algo de diferente está pela frente”, afirmou.

    Para o engenheiro, quando esse critério não é seguido, a pessoa com deficiência visual pode receber uma informação errada durante o deslocamento. Dessa forma, a falha deixa de ser apenas estética e passa a representar um problema de segurança.

    Falta de padrão

    Hortêncio também critica a falta de continuidade entre as calçadas de imóveis vizinhos. Segundo ele, muitos proprietários tratam o passeio como uma extensão isolada do lote, sem considerar o fluxo de pedestres.

    “Cada proprietário age como se a calçada começasse e terminasse nos limites do seu lote”, disse.

    Na avaliação do engenheiro, larguras diferentes, desníveis, depressões e ausência de distância correta em relação ao meio-fio comprometem qualquer projeto de acessibilidade. Além disso, esses problemas dificultam a implantação correta das calçadas táteis em Goiás.

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