Super El Niño acende alerta para seca, calor e impacto na safra no Brasil
Fenômeno pode atrasar chuvas no Centro-Oeste, elevar temperaturas e afetar lavouras de soja e milho em fase decisiva
O possível avanço de um Super El Niño acendeu alerta para o agronegócio brasileiro. Eventos anteriores, como os registrados em 1982, 1997 e 2015, deixaram um histórico de seca severa no Centro-Oeste e no Matopiba, região formada por áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, e o Cemaden, no Brasil, acompanham o avanço do fenômeno com atenção. A projeção é de um El Niño moderado a forte, com impactos diferentes conforme a região do país. No caso da soja, a preocupação aumenta porque o plantio ocorre entre outubro e novembro, enquanto o pico do fenômeno pode coincidir com dezembro e janeiro, período decisivo para o enchimento dos grãos.
Centro-Oeste deve sentir mais pressão
No Centro-Oeste e no Sudeste, o risco é de atraso mais forte nas chuvas. Além disso, o chamado veranico pode ficar mais severo em janeiro. Essa fase é sensível para lavouras de soja, milho e outros grãos.
A combinação de chuva irregular, baixa umidade e temperaturas de 2°C a 3°C acima da média pode afetar o peso dos grãos e reduzir a produtividade. Por isso, o alerta se concentra especialmente nas regiões que respondem por parte importante da produção agrícola brasileira.
Norte e Nordeste podem ter menos chuva
No Norte e no Nordeste, a tendência é de menor volume de chuva, atraso no período chuvoso e aumento do risco de incêndios. Para culturas plantadas em maio, o impacto imediato tende a ser menor. No entanto, culturas perenes, que dependem de chuva ao longo do ano, podem sofrer mais entre novembro e dezembro.
Já no Matopiba, uma das principais fronteiras agrícolas do país, o cenário exige atenção. A irregularidade das chuvas pode atrapalhar o planejamento do produtor e elevar o risco de perdas em áreas mais vulneráveis.
Sul pode enfrentar excesso de chuva
Enquanto parte do país pode enfrentar seca e calor, o Sul tende a sentir o outro lado do fenômeno. A região pode registrar excesso de chuva, alagamentos, enchentes, doenças fúngicas nas lavouras e dificuldade na colheita.
A janela do trigo e da soja também exige cuidado. Com mais umidade no solo e maior instabilidade, produtores podem ter problemas para manejar as lavouras e organizar a colheita no período adequado.
Planejamento vira palavra-chave
O principal alerta é que o Super El Niño pode afetar o calendário agrícola em momentos decisivos. No caso da soja, o impacto no enchimento dos grãos pode pesar diretamente na produtividade. No milho, a preocupação também passa pela disponibilidade de água e pelo comportamento das chuvas durante a safra.
Embora o efeito final dependa da intensidade real do fenômeno nos próximos meses, o cenário reforça a necessidade de planejamento. Para produtores, governos e setores ligados ao abastecimento, acompanhar as previsões climáticas pode ser decisivo para reduzir prejuízos.
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