Dificuldades de reciclagem afeta valorização de profissionais ligados ao CREA
Candidato a presidente da entidade propõe criação de plataforma de ensino híbrida com cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação para engenheiros, agrônomos e geocientistas registrados
A dificuldade de acesso a cursos de reciclagem e aperfeiçoamento profissional tem afetado a valorização de engenheiros, agrônomos e geocientistas, segundo o engenheiro Idalino Hortêncio, candidato à presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO).
Formação
Na avaliação de Idalino, parte dos profissionais enfrenta limitações na formação continuada, principalmente por causa do custo de cursos em instituições privadas. Segundo ele, esse cenário pesa mais para quem está no início da carreira.
Além disso, o candidato afirma que a falta de atualização também pode impactar a remuneração. Segundo ele, empresas muitas vezes recebem recém-formados como trainees, ainda em fase de formação, e depois os contratam como analistas, com salários abaixo da média esperada para engenheiros.
“Muitas vezes, os profissionais são recepcionados pelas empresas como trainees, ainda em fase de formação, submetidos a uma carga horária intensa de trabalho e, quando se formam, são contratados como analistas, recebendo salários abaixo da média esperada caso fossem contratados como engenheiros”, disse.
Escola do CREA
Para enfrentar esse problema, Idalino propõe a criação de uma plataforma de cursos de formação, reciclagem, aperfeiçoamento e pós-graduação dentro do CREA-GO. A ideia, segundo ele, é oferecer capacitação sem custo aos profissionais registrados.
Nesse sentido, o candidato defende uma estrutura híbrida, com aulas presenciais e remotas. “Nós propomos a criação do que eu chamo de Escola do CREA. Seria um espaço físico, dentro das instalações da entidade, onde os profissionais se inscrevem e se tornam alunos de cursos com aulas online, em formato presencial ou remoto”, afirmou.
Cursos sob demanda
De acordo com a proposta, a Escola do CREA teria um departamento dedicado à estruturação da plataforma e dos cursos. Além disso, a oferta teria como base as demandas apresentadas pelos próprios profissionais.
Na prática, os profissionais poderiam solicitar cursos de aperfeiçoamento ou nivelamento em suas regiões. Depois disso, o CREA formataria a formação e disponibilizaria o conteúdo tanto presencialmente quanto em ambiente online.
“Suponhamos que, em um determinado município, os profissionais identifiquem a necessidade de um aperfeiçoamento ou nivelamento. É feita uma solicitação ao CREA, que vai formatar um curso. Essa formação estará disponível tanto na forma presencial quanto na plataforma on-line que vamos desenvolver”, explicou Idalino.
Meio ambiente
Como exemplo da demanda por formação específica, Idalino citou as exigências técnicas ligadas à emissão do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo ele, engenheiros florestais e ambientais estão entre os profissionais mais procurados para elaborar estudos de regularização ambiental de propriedades rurais.
No entanto, o candidato afirma que a legislação ambiental exige formação específica em muitos casos. Por isso, profissionais acabam buscando cursos em instituições privadas, com custos considerados altos.
“Muitas vezes o estudo da legislação que rege a realização desses levantamentos requer formação específica, que os profissionais vão buscar em instituições privadas, que cobram valores altos”, afirmou.
Setor produtivo
Idalino também defende que o CREA-GO atue como ponte entre empresas do setor e instituições de ensino. Para ele, esse diálogo poderia ajudar na atualização de cursos e na aproximação entre formação acadêmica e demandas do mercado.
Além disso, o candidato avalia que as empresas poderiam apresentar demandas e sugerir orientações para atualização de grades curriculares. “As empresas podem inclusive apresentar demandas e propor orientações gerais de adequação e atualização de grade curricular, até mesmo junto aos cursos de graduação”, disse.