TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa presidencial da AtlasIntel
Julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha; placar está em 1 a 0 para manter veto à divulgação
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou, nesta terça-feira (9), a decisão sobre a pesquisa AtlasIntel de intenção de voto para presidente da República. A ministra Estela Aranha pediu vista e interrompeu o julgamento.
Ainda não há data para a retomada da análise. Até o momento, o placar está em 1 a 0 para manter a suspensão da divulgação do levantamento.
Voto de Nunes Marques
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, deu o único voto até agora. Ele defendeu a manutenção da decisão individual que retirou a pesquisa dos canais oficiais da empresa.
Ao votar, Nunes Marques afirmou que há elementos capazes de indicar possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário. Para o ministro, a sequência de perguntas pode ter ultrapassado a simples medição da opinião pública.
Além disso, ele apontou que os estímulos apresentados aos entrevistados poderiam interferir nas respostas. Dessa forma, Nunes Marques votou para manter suspensa a pesquisa AtlasIntel.
Questionamento do PL
A ação chegou ao TSE após pedido do PL. O partido questionou a metodologia do levantamento e afirmou que perguntas relacionadas ao caso Banco Master poderiam influenciar os entrevistados.
Segundo a legenda, os eleitores também teriam ouvido um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Por isso, o partido pediu a suspensão da divulgação.
Defesa da AtlasIntel
A defesa da AtlasIntel negou irregularidades. O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra afirmou que o PL não apontou violação objetiva às regras eleitorais.
Além disso, ele sustentou que o questionamento do partido se baseia em discordância sobre a metodologia adotada pela empresa. Portanto, para a defesa, não haveria motivo para manter o veto ao levantamento.
Durante a sessão, o ministro Dias Toffoli também levantou uma discussão sobre os limites do uso de áudios e vídeos em pesquisas eleitorais. Segundo ele, a decisão do TSE deve ajudar a definir parâmetros para levantamentos de intenção de voto nas eleições de 2026.
Divulgação segue barrada
Com a decisão individual ainda em vigor, a AtlasIntel não pode manter a pesquisa AtlasIntel publicada em seus canais oficiais.
Além disso, a empresa também não pode republicar nem impulsionar o levantamento nas redes sociais. Agora, o caso depende da devolução do pedido de vista para que o TSE retome o julgamento.
Com isso, a discussão segue aberta no tribunal. Ao mesmo tempo, o caso deve influenciar o debate sobre metodologia, uso de conteúdo audiovisual e neutralidade em pesquisas eleitorais.