Tarifa de 50% abre nova disputa entre EUA e Canadá
Medida alcança cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses e entrará em vigor em 19 de agosto
Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos importados do Canadá. A medida, divulgada na segunda-feira (20), aumenta a tensão comercial entre os dois países.
Segundo o governo norte-americano, a cobrança alcançará quase US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses. O valor representa aproximadamente 5,2% de tudo o que os Estados Unidos importaram do país vizinho em 2025.
A tarifa de 50% sobre produtos canadenses entrará em vigor em 19 de agosto. Portanto, Washington e Ottawa ainda terão cerca de um mês para buscar uma saída negociada.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que pretende intensificar as negociações. Entretanto, autoridades provinciais já defendem uma resposta equivalente caso os Estados Unidos mantenham a cobrança.
Produtos atingidos pela tarifa
A nova cobrança alcança mercadorias como vinho, cimento, móveis, roupas, equipamentos esportivos, sementes e determinados produtos lácteos.
Por outro lado, Washington excluiu setores considerados estratégicos. Energia, potássio, pescados e minerais críticos estão entre os produtos que não entrarão na nova lista.
Além disso, produtos que já enfrentam tarifas de segurança nacional também ficaram fora da nova medida. Esse grupo inclui parte das importações de aço e alumínio.
A cobrança poderá atingir mercadorias que cumprem as regras de origem do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. Dessa forma, empresas que antes acessavam o mercado norte-americano sem essa tarifa também poderão enfrentar o novo custo.
Contudo, a sobretaxa não alcançará todas as exportações canadenses. Em 2025, os Estados Unidos importaram quase US$ 382 bilhões em produtos do Canadá.
Washington justifica cobrança
O presidente Donald Trump utilizou a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 para estabelecer a tarifa. A legislação permite que o governo norte-americano cobre taxas de até 50% de países acusados de discriminar produtos dos Estados Unidos.
Segundo a Casa Branca, o Canadá mantém barreiras que prejudicam produtos norte-americanos nos setores automotivo, de bebidas e de laticínios. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, também acusou Ottawa de adotar práticas desiguais.
Washington questiona, por exemplo, as cotas canadenses para a importação de queijos. Além disso, critica as restrições impostas às bebidas norte-americanas em lojas administradas pelas províncias.
Ottawa, porém, afirma que parte dessas medidas respondeu a tarifas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos. Portanto, o governo canadense contesta a interpretação de que iniciou a escalada comercial.
Canadá tenta evitar tarifa de 50%
Carney afirmou que o país apresentou propostas para solucionar as divergências. Segundo ele, a disputa já elevou custos e também poderá atingir famílias e empresas norte-americanas.
Até agora, o governo federal canadense não anunciou uma nova rodada de retaliações. No entanto, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, defendeu uma resposta proporcional caso as negociações fracassem.
Entidades empresariais dos dois países também pedem um acordo antes de 19 de agosto. Afinal, as cadeias produtivas norte-americanas e canadenses mantêm forte integração.
O setor automotivo representa um dos principais exemplos. Peças e componentes podem atravessar a fronteira várias vezes antes da montagem final de um veículo.
Consequentemente, o acúmulo de tarifas poderá aumentar os custos para fabricantes e consumidores. Além disso, a incerteza comercial poderá adiar novos investimentos industriais.
Acordo regional pressionado
A disputa ocorre durante as discussões sobre as futuras regras comerciais entre Estados Unidos, México e Canadá. Enquanto Washington avança nas conversas com o México, Ottawa tenta acelerar as negociações para evitar a nova tarifa.
Além disso, o uso da Seção 338 aumenta a preocupação de outros parceiros comerciais. Afinal, o governo norte-americano poderá utilizar o mesmo dispositivo como base para novas medidas.
Por isso, governos e empresas acompanharão a reação canadense e eventuais questionamentos internacionais. Uma escalada entre os dois países poderá ampliar a instabilidade no comércio global.
Reflexos para o Brasil
A tarifa de 50% sobre produtos canadenses não atinge diretamente as mercadorias brasileiras. No entanto, a medida poderá redirecionar exportações canadenses para outros mercados e influenciar os preços internacionais.
Ao mesmo tempo, fornecedores brasileiros poderão encontrar espaço em setores nos quais os produtos canadenses perderem competitividade nos Estados Unidos. Contudo, esse efeito dependerá das mercadorias envolvidas e das tarifas já aplicadas ao Brasil.
Canadá e Mercosul retomaram, em outubro de 2025, as negociações para um acordo de livre comércio. Dessa maneira, a nova tensão com Washington poderá reforçar o interesse canadense em ampliar suas relações com outros mercados, embora ainda não exista uma decisão oficial nesse sentido.
No curto prazo, a atenção permanecerá concentrada nas negociações até 19 de agosto. Caso os dois governos não cheguem a um entendimento, a tarifa entrará em vigor e poderá provocar uma resposta de Ottawa.