Uefa rejeita plano de Infantino para ‘vender’ a Copa
Projeto prevê empresa de US$ 20 bilhões com participação de investidores privados; federações têm até 19 de setembro para aderir ao novo modelo financeiro.
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) rejeitou o plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, para abrir a investidores privados uma empresa responsável pelas operações comerciais da Copa do Mundo e de outros torneios.
A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), avaliada inicialmente em US$ 20 bilhões. A nova companhia reuniria direitos de transmissão, patrocínios, ingressos, licenciamento e a organização comercial das competições.
Pelo projeto, investidores externos poderiam comprar até 20% da empresa. A Fifa afirma que manteria o controle da companhia e das decisões esportivas. Com a operação, a entidade pretende captar até US$ 4,2 bilhões ainda neste ano.
Reação da Uefa
Em comunicado oficial, a Uefa afirmou que a proposta ultrapassa “uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam ultrapassar”.
A entidade europeia também criticou a falta de transparência sobre os possíveis beneficiários do negócio. Além disso, declarou que a Copa do Mundo não pertence à Fifa e, portanto, não poderia ser colocada à venda.
Nesta quarta-feira (29), a Uefa endureceu o discurso após conhecer o prazo apresentado por Infantino às 211 federações filiadas. Elas terão até 19 de setembro para decidir se apoiam o projeto.
“Isso diz tudo o que é preciso saber sobre este plano”, afirmou a entidade. A Uefa também disse que existe uma oposição “significativa e crescente” entre federações, clubes, ligas, jogadores e torcedores.
Financiamento entra na disputa
Infantino ofereceu às federações um pagamento extraordinário de US$ 20 milhões caso participem do novo programa. Além disso, cada entidade poderia receber outros US$ 20 milhões no ciclo entre 2027 e 2030.
Por outro lado, se o projeto não avançar, as federações ficariam com os US$ 10 milhões já previstos para os próximos quatro anos. Assim, o valor seria 75% menor que os US$ 40 milhões apresentados no novo pacote.
A Fifa sustenta que o dinheiro captado com investidores permitirá ampliar os recursos para infraestrutura, seleções, futebol feminino e categorias de base. Segundo a entidade, o financiamento global poderia superar US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos. O plano ainda depende da aprovação da maioria das 211 federações e do Conselho da Fifa. Leia a proposta oficial.
Investidor ligado à família Trump
O grupo de investidores deve ser liderado pela Thrive Eternal, veículo fundado por Joshua Kushner. Ele é irmão de Jared Kushner, genro e ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A aproximação volta a colocar em evidência a relação entre Infantino e pessoas ligadas ao governo americano. Durante a Copa, Trump apareceu ao lado do presidente da Fifa na final e participou da entrega do troféu à Espanha.
O Transmissão Política também mostrou que a Uefa já havia entrado em confronto com a Fifa durante o Mundial. Na ocasião, a entidade europeia criticou a liberação do atacante Folarin Balogun após um pedido de Trump para que Infantino revisasse sua suspensão. Relembre a matéria.
Agora, a resistência ao novo projeto ganhou apoio da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf. As duas entidades disseram que souberam da proposta pela imprensa e criticaram a falta de consulta prévia. Juntas com a Uefa, elas representam 143 das 211 federações filiadas à Fifa, segundo a Reuters.