Petróleo sobe quase 8% com tensão no Oriente Médio
Ataques, novas sanções e queda dos estoques norte-americanos aumentaram o temor de interrupções no abastecimento mundial
A alta do petróleo ganhou força nesta quarta-feira (29) após uma nova escalada das tensões no Oriente Médio.
O Brent avançou 7,91% e encerrou o dia cotado a US$ 90,74 por barril. Além disso, o petróleo norte-americano WTI subiu 6,56%, para US$ 84,46.
O mercado reagiu aos ataques realizados pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque.
Segundo Washington e Riad, esses grupos participaram de ataques contra instalações petrolíferas sauditas. Contudo, o governo iraniano negou envolvimento nas ações.
Temor sobre a oferta
Os investidores temem novas interrupções na produção e no transporte de petróleo. Afinal, o Oriente Médio reúne alguns dos principais exportadores mundiais.
Donald Trump também afirmou que os Estados Unidos poderão realizar novos ataques contra o Irã. Dessa forma, aumentou a preocupação com o prolongamento do conflito.
Além disso, incidentes atingiram uma instalação de gás no Egito.
Uma empresa de segurança marítima informou que um drone alcançou um navio no porto de Damietta.
O episódio não interrompeu todo o comércio regional. Entretanto, reforçou os temores sobre a segurança das rotas marítimas.
Sanções contra o Irã
O governo norte-americano anunciou sanções contra dez entidades e oito navios ligados ao comércio iraniano.
Entre as empresas atingidas, seis possuem sede na China.
Além disso, as medidas alcançam duas companhias de seguros marítimos.
Segundo o Departamento do Tesouro, elas ajudariam o Irã a obter receitas com embarcações no Estreito de Ormuz.
O governo iraniano ainda não apresentou uma resposta detalhada às novas sanções.
Contudo, Teerã contesta as acusações norte-americanas sobre suas atividades na região.
Desde janeiro, os Estados Unidos sancionaram mais de 100 navios classificados como integrantes da frota paralela iraniana.
Essa rede transportaria petróleo apesar das restrições internacionais.
Porém, as sanções também podem elevar custos para seguradoras, bancos, transportadoras e compradores estrangeiros.
Ormuz permanece no centro
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
Além disso, representa uma das principais rotas energéticas do mundo.
Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos mostram que 20 milhões de barris passavam diariamente pelo local em 2024.
Esse volume correspondia a aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo e derivados.
Além disso, a rota transportava cerca de um quinto do gás natural liquefeito.
Por isso, qualquer redução no tráfego pode pressionar preços, fretes e seguros.
Ao mesmo tempo, o impacto pode alcançar países distantes do conflito.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos capazes de contornar o estreito.
Contudo, essa capacidade alternativa não substitui todo o fluxo marítimo.
Estoques também pressionam
Os estoques comerciais de petróleo dos Estados Unidos caíram 7,2 milhões de barris na última semana.
Assim, o volume recuou para 404,5 milhões de barris, menor nível desde 2018.
Analistas esperavam uma redução bem menor.
Consequentemente, a queda dos estoques ampliou a alta do petróleo.
Além disso, a demanda norte-americana permaneceu firme, enquanto as exportações continuaram elevadas.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados também influenciam as expectativas.
Segundo fontes da Reuters, o grupo avalia interromper novos aumentos de produção em outubro.
Contudo, a Opep+ ainda não anunciou uma decisão definitiva.
Portanto, os investidores continuarão acompanhando os próximos encontros do grupo.
Possível impacto no Brasil
A valorização do petróleo produz efeitos diferentes sobre a economia brasileira.
Como exportador, o Brasil pode ampliar receitas com vendas externas, royalties e participações governamentais.
Por outro lado, preços internacionais elevados aumentam os custos de importação de combustíveis e derivados.
Além disso, o movimento pode pressionar transporte, alimentos e inflação.
Entretanto, uma alta diária não provoca automaticamente reajustes nos postos.
O preço final também depende do câmbio, dos tributos e das margens comerciais.
A Petrobras afirmou anteriormente que não repassa oscilações momentâneas de forma automática.
Portanto, a duração do movimento terá mais importância do que a alta isolada.
A Agência Nacional do Petróleo acompanha o abastecimento e os preços desde o início do conflito.
Além disso, o órgão recebeu atribuições para fiscalizar possíveis aumentos abusivos.
O governo brasileiro também criou subvenções para gasolina, diesel e gás de cozinha.
Dessa forma, as medidas buscam reduzir os efeitos das oscilações internacionais.
Próximos passos
O mercado acompanhará o tráfego pelo Estreito de Ormuz e as possíveis respostas do Irã.
Além disso, observará novas decisões militares dos Estados Unidos.
Uma redução das tensões poderá devolver parte da alta.
Entretanto, novos ataques contra instalações energéticas poderão pressionar novamente as cotações.
Portanto, o preço dos combustíveis no Brasil não mudará necessariamente de forma imediata.
O risco aumentará caso o Brent permaneça elevado durante várias semanas.