A Uefa e suas 55 federações aprovaram, nesta quinta-feira (30), um boicote às competições organizadas pela Fifa.
A medida será aplicada caso a entidade mundial avance com o plano de abrir parte de seus negócios a investidores privados.
A decisão ocorreu durante uma reunião emergencial convocada para discutir o projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Além disso, as federações europeias aprovaram a posição por unanimidade.
O boicote, portanto, ainda é condicionado.
Assim, as seleções europeias deixarão as competições da Fifa somente se Infantino mantiver o projeto.
Próximas Copas ameaçadas
A decisão pode atingir a Copa do Mundo feminina de 2027 e o Mundial masculino de 2030.
Além disso, o posicionamento alcança outras competições organizadas pela Fifa.
Nesse cenário, a ausência europeia retiraria dos torneios seleções como Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Portugal.
No entanto, a Uefa ainda não detalhou como aplicaria o boicote.
Em comunicado, a entidade afirmou que a Copa não pode virar um produto de investimento.
Além disso, a Uefa criticou a falta de diálogo com federações, clubes, jogadores e torcedores.
“A Copa não é da Fifa para vender”, declarou.
Plano de US$ 20 bilhões
A Fifa pretende criar uma empresa para reunir direitos de transmissão, patrocínios, ingressos, licenciamento e operações comerciais dos torneios.
A entidade avalia a companhia em US$ 20 bilhões.
Além disso, pretende vender até 20% da empresa para captar cerca de US$ 4,2 bilhões.
A Fifa afirma que manteria o controle das decisões esportivas.
Segundo Infantino, o dinheiro ampliaria investimentos em infraestrutura, seleções, categorias de base e futebol feminino.
Enquanto isso, as 211 federações filiadas têm até 19 de setembro para analisar o projeto.
Infantino ofereceu até US$ 40 milhões para cada associação que apoiar o novo modelo.
Por outro lado, se a proposta não avançar, cada federação ficaria com aproximadamente US$ 10 milhões já previstos.
Por isso, a Uefa classificou essa diferença como uma forma de pressão.
Agora, o boicote europeu amplia a crise entre Fifa e Uefa.
Ainda assim, a proposta depende do apoio da maioria das 211 federações e da aprovação do Conselho da Fifa.