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    STJ impõe punição inédita a Buzzi e abre caminho para perda do cargo

    Ministro é acusado de assédio e importunação sexual; defesa citou disfunção erétil e alegou suposto conluio entre denunciantes.

    O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aplicou, nesta quinta-feira (6/8), a punição mais grave contra o ministro Marco Buzzi.

    Com isso, o magistrado passa a enfrentar o primeiro grande teste do novo modelo disciplinar adotado pelo Judiciário brasileiro.

    Buzzi recebeu a pena de disponibilidade com proposta de perda do cargo.

    Portanto, ele deixa de exercer suas funções e passa a receber vencimentos proporcionais enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa sua saída definitiva.

    A decisão ocorreu durante uma sessão fechada, que durou cerca de cinco horas.

    Durante o julgamento, o processo administrativo disciplinar apurou acusações de assédio, importunação sexual e injúria apresentadas por duas mulheres.

    No entanto, Buzzi nega todas as acusações.

    Defesa

    Na tentativa de evitar a punição a Marco Buzzi, a defesa apresentou um relatório urológico.

    Segundo o documento, o ministro possui disfunção erétil moderada.

    Além disso, os advogados sustentaram que a condição médica poderia enfraquecer os relatos apresentados contra ele.

    A estratégia também incluiu limitações de mobilidade, registros de viagens, mensagens e a disposição física do gabinete.

    Ao mesmo tempo, os defensores alegaram a possibilidade de um conluio entre as denunciantes.

    Segundo a defesa, o suposto acordo poderia ter sido motivado por vingança, interesses pessoais ou interpretações equivocadas.

    Contestação

    O Ministério Público Federal, porém, contestou os argumentos apresentados.

    Segundo o órgão, o laudo não demonstrava impossibilidade de ocorrência das condutas investigadas.

    Além disso, o médico responsável pelo documento declarou que a condição não impedia a locomoção do ministro.

    Dessa forma, a exposição do diagnóstico íntimo e a tese de conspiração não impediram a punição a Marco Buzzi.

    Novo modelo

    O caso inaugura uma nova fase no Judiciário.

    Dois dias antes do julgamento, o Conselho Nacional de Justiça regulamentou o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para infrações graves.

    Antes, um magistrado punido poderia deixar o tribunal, mas continuava recebendo vencimentos proporcionais.

    Agora, por outro lado, o processo pode terminar com a ruptura definitiva do vínculo e o fim dos pagamentos.

    Próximos passos

    Como Buzzi integra o STJ, o procedimento deverá seguir para a Advocacia-Geral da União.

    Em seguida, a AGU terá 30 dias para propor ao STF a ação civil que pode retirar definitivamente o cargo do ministro.

    Até uma decisão final do Supremo, Buzzi permanecerá afastado.

    Além disso, continuará recebendo proporcionalmente ao tempo de serviço.

    Por fim, a defesa ainda poderá questionar a punição a Marco Buzzi na própria Corte.

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