Prudential explica venda no Brasil e confirma saída de emergentes
Grupo pretende reduzir pela metade sua presença internacional e direcionar mais de US$ 3 bilhões para mercados considerados prioritários.
A Prudential Financial explicou a estratégia que envolve a venda de sua operação brasileira, após semanas de especulações sobre o futuro da seguradora no país.
Segundo reportagem do Pipeline, do Valor Econômico, os principais executivos da companhia dedicaram quase 30 minutos da teleconferência com investidores para justificar a mudança.
O plano prevê a saída dos mercados emergentes e uma redução significativa da presença internacional. Atualmente, os negócios de seguros e previdência operam em mais de uma dúzia de países.
A intenção é diminuir esse número em pelo menos metade. Assim, o grupo concentrará esforços nos Estados Unidos, no Japão e em alguns países europeus.
Mudança global
O presidente e CEO da Prudential Financial, Andy Sullivan, afirmou que as saídas serão conduzidas com o objetivo de maximizar o valor dos negócios.
Além disso, a companhia pretende direcionar “bem mais de US$ 3 bilhões” para áreas consideradas estratégicas. Entre elas estão previdência, seguros selecionados e gestão de recursos.
A PGIM, gestora global de investimentos da Prudential, deverá assumir uma posição ainda mais relevante dentro do grupo. A empresa administra aproximadamente US$ 1,2 trilhão em ativos.
Atualmente, a gestora responde por cerca de 12% do lucro operacional ajustado da Prudential. No entanto, a meta é elevar essa participação para aproximadamente 25%.
A reorganização também busca diminuir a necessidade de capital e tornar a geração de caixa mais previsível. Ao mesmo tempo, a companhia pretende reduzir sua dispersão geográfica.
Brasil em destaque
Apesar da decisão de deixar os mercados emergentes, a operação brasileira apareceu entre os principais motores de crescimento da divisão internacional.
De acordo com o Pipeline, o real representou 19% das vendas da divisão no segundo trimestre. A moeda brasileira ficou atrás apenas do iene, com 56%, e do dólar, com 23%.
O desempenho ocorreu mesmo com o real menos valorizado em comparação com as outras moedas. Além disso, a companhia destacou o avanço das vendas pelos consultores Life Planners e por parceiros comerciais.
O Transmissão Política mostrou, em julho, que a Prudential buscava um comprador para a unidade brasileira. O negócio chegou a ser estimado em aproximadamente US$ 3 bilhões.
Posteriormente, o portal também revelou que a negociação ocorria durante uma crise de governança na operação japonesa. Na ocasião, porém, a empresa não relacionou os dois acontecimentos.
Venda pode movimentar bilhões
Segundo a apuração do Pipeline, a Prudential espera obter entre R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões com a venda da operação brasileira.
Já a unidade mexicana poderia movimentar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão. Portanto, o negócio brasileiro deverá representar a maior parte dos recursos esperados pelo grupo.
O processo é coordenado pelo banco norte-americano Morgan Stanley. Entretanto, a Prudential não divulgou um prazo para concluir a venda nem informou quem apresentou propostas.
A administração também indicou que pretende vender as operações, em vez de simplesmente encerrá-las. Dessa forma, clientes, contratos e canais de atendimento poderão ser transferidos ao eventual comprador.
Até a conclusão das negociações, a Prudential Brasil mantém suas atividades normalmente. A companhia também não anunciou mudanças nos contratos dos segurados ou na atuação dos consultores.