Milhares vão às ruas na Venezuela e cobram eleições após saída de Maduro
Manifestações ocorreram em diversas cidades nesta quinta-feira (22); oposição pressiona governo interino por calendário eleitoral.
Milhares de venezuelanos participaram de manifestações nesta quinta-feira (22/10) para exigir eleições livres e mudanças políticas no país. Os atos ocorreram em Caracas, Valência, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo. Segundo a Reuters, foi a primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos.
Os protestos foram organizados pelo movimento Vente Venezuela, ligado à líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz. A mobilização ocorre nove meses após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro de 2026. Desde então, Delcy Rodríguez comanda o governo interino venezuelano.
Oposição cobra calendário eleitoral
Apesar das promessas de realização de novas eleições, o governo interino ainda não apresentou um calendário para a escolha do próximo presidente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também declarou apoio à realização de eleições, mas não estabeleceu um prazo.
María Corina Machado defende que a votação ocorra até julho de 2027. Entretanto, seu movimento político não participa das negociações apoiadas pelos Estados Unidos entre representantes do governo e uma ala da oposição. As conversas incluem propostas de mudanças no Conselho Nacional Eleitoral e no sistema de Justiça.
Manifestantes também pedem libertação de presos
Além das eleições, os manifestantes reivindicaram a libertação de pessoas detidas por motivos políticos. Segundo a organização de direitos humanos Foro Penal, mais de 320 presos políticos permanecem encarcerados na Venezuela, apesar das libertações realizadas neste ano.
O governo venezuelano nega manter presos políticos e defende a abrangência da lei de anistia aprovada pelo Legislativo. Até esta quinta-feira (22), não havia data anunciada para as próximas eleições presidenciais.