Quaest explica por que pesquisas não captaram arrancada de Lula no segundo turno
Felipe Nunes aponta queda histórica da abstenção e mudança no comportamento dos eleitores como fatores decisivos para o resultado.
O diretor-presidente da Quaest, Felipe Nunes, afirmou nesta sexta-feira (30) que a mobilização de eleitores no segundo turno surpreendeu os modelos de pesquisa. Segundo o cientista político, quase 5 milhões de votos a mais foram registrados em relação ao primeiro turno. O movimento contribuiu para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Em artigo publicado no site da Quaest, Nunes explicou que a eleição teve dois momentos distintos. No primeiro turno, o eleitorado avaliou principalmente o governo Lula, que enfrentava índices elevados de desaprovação. Já na segunda etapa, a possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao poder ganhou força no debate. Assim, o foco da disputa mudou.
Abstenção surpreendeu
De acordo com Nunes, a abstenção nacional caiu de 21,08% para 19,22%, o menor índice desde 2006. Além disso, oito em cada dez municípios registraram maior comparecimento no segundo turno. Em São Paulo, 277 mil eleitores que não participaram da primeira votação compareceram às urnas. No Rio de Janeiro, foram 156 mil eleitores a mais.
O presidente da Quaest reconheceu que o modelo de eleitores prováveis não conseguiu antecipar essa mobilização. Isso porque a metodologia considerava padrões históricos de comparecimento. No entanto, parte dos eleitores que costumavam faltar decidiu votar. Segundo ele, os levantamentos já indicavam maior disposição entre jovens, pessoas de menor renda e eleitores favoráveis a Lula.

Medo mudou de lado
As pesquisas também identificaram uma mudança na percepção dos brasileiros. Antes do primeiro turno, 43% temiam a continuidade do governo Lula, enquanto 40% receavam a volta dos Bolsonaro. No segundo turno, o cenário se inverteu. O medo do retorno da família Bolsonaro chegou a 45%, contra 42% que temiam a permanência de Lula.
Para Nunes, a eleição mostrou os limites dos modelos tradicionais de previsão de comparecimento. A Quaest já iniciou um estudo pós-eleitoral para compreender o comportamento dos eleitores e identificar os fatores que provocaram a mobilização no segundo turno.