NOAA aponta chance superior a 90% de El Niño muito forte
Agência calcula ainda 75% de possibilidade de o fenômeno atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro
A previsão de El Niño muito forte ganhou força com a nova projeção divulgada pela agência climática dos Estados Unidos nesta quinta-feira (10).
Segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), a chance supera 90% para a primavera e o verão de 2026–2027 no Hemisfério Sul.
Além disso, a agência calcula em 75% a possibilidade de o fenômeno atingir nível histórico. Nesse cenário, seria o El Niño mais intenso desde o início dos registros, em 1950.
Previsão de El Niño muito forte
O monitoramento indica que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial avançou rapidamente nos últimos meses.
A La Niña terminou em abril. Logo depois, as condições começaram a mudar.
Entre maio e julho, a possibilidade de formação do El Niño estava em 61%. Em maio, no entanto, a probabilidade já havia chegado a 82%.
Já em junho, os meteorologistas confirmaram o início do fenômeno.
Desde então, as temperaturas do oceano continuaram aumentando. Em agosto, por exemplo, as anomalias superaram 3°C em áreas do Pacífico Equatorial Leste.
Como funciona o fenômeno
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal.
Como consequência, essa mudança interfere na circulação atmosférica.
Além disso, o fenômeno pode alterar o regime de chuvas em diferentes partes do mundo.
Apesar da projeção, a NOAA ressalta que os efeitos não acontecem da mesma maneira em todas as regiões.
Entretanto, quanto maior a intensidade, maiores são as chances de alterações significativas no clima.
Possíveis efeitos no Brasil
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Norte e Nordeste podem registrar chuvas abaixo da média.
Como consequência, os níveis dos rios podem cair e dificultar a navegação.
Além disso, o cenário pode afetar o acesso a comunidades isoladas, a pesca e o abastecimento de água.
Já nas áreas mais ao sul do país, o comportamento pode ser diferente.
Nessas regiões, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média.
Por isso, aumenta o risco de enchentes e de prejuízos para a pesca e a aquicultura.
Reservatórios e agricultura exigem atenção
Em outras regiões, as temperaturas elevadas também podem exigir atenção.
Nesse caso, reservatórios, cultivos e condições de abastecimento entram no acompanhamento do cenário climático.
Assim, a previsão de El Niño muito forte mantém diferentes regiões do país em alerta para possíveis mudanças no regime de chuvas e temperaturas.
A próxima atualização da NOAA está prevista para 8 de outubro.